
Mohamed Mubarak jogava futebol na rua contra a vontade dos pais, que desaprovavam o sonho do garoto humilde do Catar. A história se assemelha a de milhares de crianças brasileiras, onde poucos conseguem chegar ao topo, à fama e a uma carreira de sucesso.
O ex-jogador do Al Khor e Al Sad S. C entre outros clubes, que chegou à seleção de seu país, era uma espécie de coringa e hoje pode ser considerado um “embaixador” do futebol catariano.
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Mubarak teve a honra de ser treinado por brasileiros como Evaristo de Macedo, uma verdadeira lenda viva no país. O Catar, anfitrião da Copa do Mundo de 2022, é filiado à Fifa desde 1972, e apostou que, levando para o pequeno país do Oriente Médio treinadores brasileiros, iria conseguir desenvolver o futebol local e, quem sabe, conseguir passar pelas eliminatórias asiáticas (algo que até hoje nunca aconteceu).
O nome de Evaristo de Macedo está intimamente ligado à Seleção do Catar. Em 1980, os emires tiraram Evaristo do Santa Cruz (PE) e o levaram para Doha, inicialmente pagando US$ 150 mil de luvas e um salário de US$ 17 mil. Valores que, certamente, foram multiplicados com o passar dos anos.
Evaristo levou a seleção de juniores do Catar ao vice-campeonato mundial da categoria em 1981, na Austrália. Na ocasião, a desconhecida equipe bateu a Polônia (1 a 0), eliminou o Brasil nas quartas de final (3 a 2) e tirou a Inglaterra (2 a 1) nas semifinais, até perder para a Alemanha Ocidental na finalíssima por 4 a 0. Evaristo também comandou a seleção local nas Olimpíadas de Los Angeles 1984 e Barcelona 1992.
Mubarak conhece bem essa história, e, depois que encerrou a carreira de atleta, ainda jovem, passou a trabalhar em prol do futebol local, com 14 anos de atividades na Federação de Futebol do Catar.
Foi o responsável direto pela contratação de nomes como Sebastião Lazaroni, Paulo Autuori e Pepe. Fluente em 7 idiomas, o agora dirigente e investidor, concedeu entrevista exclusiva para A Gazeta, em visita ao presidente do Grupo Gazeta, Dorileo Leal, e se mostrou aberto a negociações para formar parcerias com o Mixto Esporte Clube, dirigido pelo empresário.
“Comecei a jogar futebol na rua, perto da minha casa, meu pai não gostou muito, mas eu jogava escondido assim mesmo, até conseguir vaga nos clubes por onde passei e chegar à seleção do Catar”, resume o ex-atleta.
Divertido e, ao mesmo tempo, antenado à realidade do futebol mundial, Mubarak revela que a Copa do Mundo de 2022 provocou uma revolução no esporte local. O público, já apaixonado pela modalidade, ganhou um grande legado, com os estádios e os centros de treinamento.
Otmar de Oliveira
Mohamed Mubarak
“O povo usufrui de toda a gigantesca infraestrutura criada para a Copa e hoje temos milhares de crianças praticando o futebol no Catar. Foi fantástico”, destacou.
Comentarista de futebol da TV Al Jazira, Mubarak também emprestou sua experiência à Federação de Futsal do Catar e da Ásia. Agora pretende levar a seleção de futebol feminina para um torneio em seu país e iniciar um intercâmbio com o Brasil, a partir de Cuiabá, reconhecida como um celeiro de talentos.
“Estamos abertos para conhecer a estrutura do Mixto e de outros clubes locais e trocar conhecimentos”, concluiu o dirigente que esteve em Cuiabá a convite da empresa Fomentas.
“Para nós, é uma honra receber um ex-atleta e importante dirigente do Catar. O Mixto Esporte Clube está de portas abertas ao futebol asiático”, declarou Dorileo Leal.
Atualmente, a Liga de Futebol do Catar é disputada por 12 clubes, reunindo 364 atletas, sendo 177 deles estrangeiros, a maioria brasileiros.
O atual campeão do país é o Al-Sadd Sports Club, uma agremiação esportiva fundada em 21 de outubro de 1969. Com base no distrito de Al-Sadd, que faz parte da cidade de Doha. O clube possui os apelidos de “Al-Zaeem”, que se traduz em “O chefe”, e “Al-Dheeb”, o “lobo”. Foi fundado por 4 estudantes liderados por Nasser bin Mobarafgk Al-Ali, na Capital. A equipe é, sem dúvida, a mais bem-sucedida do país, em todos os esportes. Também tem participações no handebol, basquete, vôlei, tênis de mesa e atletismo.

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