Bolsonaro incitava animosidade contra o Judiciário e integrantes, diz Gonet

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira (2), durante sustentação da parte acusatória no julgamento que pode condenar Jair Bolsonaro (PL) à prisão, que o ex-presidente incitava animosidade contra o Poder Judiciário e seus integrantes.

“O presidente incitava desabridamente a animosidade contra o poder Judiciário e os seus integrantes. A escalada verbal foi acompanhada por manifestações organizadas, em que apareciam faixas com pedido de intervenção militar”, disse o PGR na sessão da Primeira Turma.

Gustavo Moreno/STF

O procurador-geral da República ainda afirmou que a suposta organização criminosa formada pelos réus trabalhou, até o último momento, por uma insurgência popular. 

“Evidenciou-se que a organização criminosa contribuiu até o último momento para que a insurgência popular levasse o país a um regime de exceção. Os integrantes da estrutura criminosa conheciam o intuito de criação do cenário de comoção social”, disse Gonet durante sustentação da parte acusatória, na manhã desta terça-feira (2).

O PGR também afirmou que, desde 2021, já havia a tática de gerar animosidade contra as instituições democráticas e que todos os réus aderiram à organização criminosa, “cientes do que defendia o presidente Jair Bolsonaro”.

A argumentação da acusação começou após o término da leitura do relatório do processo, realizado em cerca de 1h40 pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Gonet encerrou a sustentação e defender a condenação dos réus logo depois das 12h. Após a audiência ser retomada, às 14h, inicia-se a argumentação das defesas dos oito acusados. 

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:

Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);

Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;

Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;

Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e

Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e os outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

Organização criminosa armada;

Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

Golpe de Estado;

Dano qualificado pela violência e ameaça grave;

Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Foram reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, cinco datas para o julgamento do núcleo crucial do plano de golpe. Veja:

2 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)

3 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h (Extraordinária)

9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)

10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h (Extraordinária)
12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Extraordinária)

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Link da Matéria – via RD News

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