
Levantamento feito por economistas brasileiros e internacionais aponta que os super-ricos do Brasil pagam metade dos impostos que o restante da população.
Enquanto quem recebe mais de R$ 5,5 milhões de renda por ano paga 20,6% (reunidos todos os impostos), dos demais brasileiros são cobrados 42,5%.
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Os dados estão no estudo Progressividade Tributária e Desigualdade no Brasil: Evidências a partir de Dados Administrativos Integrados. A pesquisa foi apresentada nesta sexta-feira (29), pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o economista francês Gabriel Zucman.
O estudo foi feito em parceria entre a Receita Federal e o Observatório de Impostos da União Europeia. O órgão brasileiro compartilhou as informações, sem comprometimento da segurança dos dados, como ressaltou Zucman na apresentação — segundo Haddad, os números foram usados de maneira anônima.
O levantamento apontou que os super-ricos brasileiros pagam menos impostos do que em outros países. O estudo não faz recomendações de políticas específicas, mas busca estabelecer um panorama dos fatos.
Discussão no Legislativo
A ideia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva é usar os resultados para embasar a proposta de taxar os super-ricos, uma das bandeiras da gestão.
A ideia está incluída no projeto que eleva a isenção no Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês, como forma de compensação. O texto tramita no Congresso Nacional, e o governo espera aprová-lo no próximo mês.
Ao citar a proximidade da análise do tema no Legislativo, Haddad afirmou que o estudo “não poderia ser mais oportuno”.
“Tenho muita convicção de que, com exceção de um grupo mais extremado de deputados e senadores, o bom senso há de prevalecer para que o Brasil inicie uma trajetória. É um passo modesto, mas esse primeiro passo, mesmo que modesto, vai abrir uma seara, um caminho para o Brasil buscar o desenvolvimento sustentável”, defendeu Haddad na apresentação.

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