
As deputadas estaduais Edna Sampaio (PT), Janaina Riva (MDB) e Sheila Klener (PSDB) defenderam, na tarde desta terça-feira (26), a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do poder público e a aplicação de recursos voltados à proteção das mulheres. Em declaração, as parlamentares destacaram que foram motivadas pelos inúmeros casos de violência contra mulheres e os altos índices de feminicídio em Mato Grosso.
Autora da proposta, a deputada Edna Sampaio afirmou que a CPI não deve se restringir aos crimes em si, mas apurar responsabilidades do Estado. “O feminicídio é o indicador mais trágico da desigualdade de poder entre homens e mulheres. Ele não começa quando um homem puxa o gatilho, mas desde a infância, quando a educação de meninos e meninas é completamente diferente”, disse. Karine Campos
Deputadas estaduais Janaina Riva, Edna Sampaio e Sheila Klener
Edna destacou ainda que Mato Grosso lidera estatísticas tanto de feminicídio quanto de estupro de vulnerável. “Queremos apurar o financiamento e a execução orçamentária das políticas públicas voltadas à proteção da mulher. Não adianta se espantar com mais um assassinato e não destinar recursos para o enfrentamento”, acrescentou.
A deputada Janaina Riva reforçou que o problema está também na ausência de integração entre os entes federativos e na falta de estrutura nos municípios. “Houve redução do valor utilizado para o combate à violência doméstica em Mato Grosso. Nós vemos vários investimentos sendo feitos pelo Estado, mas eles não priorizam as mulheres, que são 52% da população. A CPI é necessária porque a rede de proteção não é efetiva”, afirmou.
Já a deputada Sheila Klener enfatizou a gravidade da situação e o papel das parlamentares como vozes das mulheres vítimas de violência. “Nós estamos com 35 mulheres assassinadas este ano em Mato Grosso. Vamos ficar passivas sem fazer nada? O mínimo que podemos fazer é usar nossa voz e nossa visibilidade”, declarou.
Para ela, é preciso encontrar soluções práticas. “Não é para fazer politicagem. É sério. Tem gente morrendo, criança ficando órfã e ela vai ficar órfã de pai e mãe, porque o pai ou ele sumiu ou ele está preso (…) Nós precisamos achar uma saída, seja na educação, seja fortalecendo a rede de proteção”, completou.
As deputadas defendem que o enfrentamento ao feminicídio passe por orçamento adequado, políticas preventivas e atuação articulada entre governo, Judiciário, Ministério Público, polícias e municípios. “Sem dinheiro não se enfrenta a violência. Como faz isso sem policial, sem estrutura? É isso que queremos apurar com a CPI”, resumiu Edna Sampaio.
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