Mais oportunidades levaram estudante a Au Pair nos EUA; sistema de saúde é ponto negativo

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Nascida e criada no bairro CPA, Larissa Mendes, 26, mora há 3 anos nos Estados Unidos. A jovem decidiu se mudar após descobrir o programa de Au Pair, um intercâmbio cultural em que os estrangeiros cuidam das crianças de uma família local. Sem nunca ter viajado para o exterior, a cuiabana seguiu seu sonho e já residiu em 3 cidades americanas. Duas delas no estado da Carolina do Norte, em Chapel Hill e Whispering Hills, e a outra em Nova Jersey, em West View. Atualmente, a imigrante começou a estudar artes em uma faculdade americana.

 

Conhecida como Lissa, a jovem cursava arquitetura em Cuiabá e planejava um intercâmbio estudantil em Portugal. No entanto, uma amiga iria se mudar para os EUA e a apresentou ao Au Pair. Após as informações trocadas, em setembro de 2022, ela partiu rumo ao território estadunidense.

 

Sem se identificar com o curso de arquitetura e diante da possibilidade de realizar o sonho de morar fora, a mudança não foi decisão difícil a ser tomada.  Como primeira impressão, a babá lembra que se impressionou com o ar fresco e o cheiro de pinheiro, árvore abundante na região.

 

Além da espécie nativa, o estado dispõe de vários parques naturais e trilhas. O contato com a natureza foi o que surpreendeu a imigrante. Apesar de se aventurar em Chapada dos Guimarães, a cuiabana sente que vive mais intensamente o novo local. Isso ocorre devido às estações bem marcadas, em que só 3 meses há sol suficiente para aproveitar o verão, o que a faz valorizar mais as atividades ao ar livre.

 

Mesmo sempre desejando a mudança de país, a cuiabana se deparou com alguns desafios para a adaptação. Entre elas, a falta de proximidade dos americanos, que, apesar da educação, sentiu certa frieza. 

 

“Aqui eles têm uma diferença muito grande entre ser educado e gostar realmente de você, sempre vão ter um sorriso maravilhoso no rosto, mas na maior parte do tempo não é de verdade”, pontua a estudante.

  Arquivo pessoal

 

A diferença nos serviços da saúde também foi algo que chamou a atenção da jovem e despertou certa preocupação. Não há consulta gratuita e, mesmo com o convênio médico, nem todos os atendimentos são cobertos, o que exige alta coparticipação. 

 

“Eu estou o tempo todo morrendo de medo de ter algum problema de saúde e ter que ir ao hospital, porque aqui é muito caro. É absurdo, é ridículo. Eu morro de medo de sofrer um acidente e ter que pagar médico”, revela.

 

No entanto, Lissa não se imagina morando em outro país no momento. Há um ano, ela ingressou em uma faculdade de artes, em Chapel Hill. O que ela considera mais vantajoso em estar nos EUA é a possibilidade de ter uma vida mais confortável comparado ao Brasil.

 

“Eu tenho condições de viver agora, não só sobreviver. A diferença de ter mais possibilidade, de conseguir ter um futuro em algo que realmente quero, e não só fazer alguma coisa só para sobreviver, foi a maior mudança para mim, e o que eu mais gosto aqui fora é o fato de poder ter mais oportunidades”, acrescenta.

  Arquivo pessoal

 

Apesar de não se imaginar vivendo em outro lugar no momento, ela sente falta da família, de ir a um pagode com os amigos e de colher frutas do pé. Para ela, o futuro ainda está em território estadunidense, que considera seu lar.

 

“Um pedaço de mim está no Brasil, mas um pedaço muito grande de mim está aqui também. Então, eu acho que eu nunca vou estar totalmente em casa, vai estar sempre uma parte de mim faltando em qualquer lugar. Eu acho que é a maior tristeza do imigrante conviver com as partes que faltam”, finaliza.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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