
No TikTok, multiplicam-se vídeos de smoothies verdes, pudins de chia e pratos cheios de legumes e grãos integrais. A onda tem nome: fibermaxxing (ou fibremaxxing), prática que defende comer o máximo possível de fibras ao longo do dia. Apesar da roupagem viral, médicos apontam que a moda toca em um ponto real: a falta de fibras na dieta dos brasileiros.
Segundo a OMS, adultos devem ingerir pelo menos 25 g de fibras por dia. No Brasil, a média está em apenas 15,6 g, segundo o IBGE. “O consumo adequado de fibras é parte essencial de uma alimentação saudável. Elas melhoram o funcionamento do intestino, reduzem o risco de doenças crônicas e ainda ajudam a controlar colesterol e glicemia”, explica o médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN.
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O que significa fibermaxxing
A prática consiste em incluir deliberadamente mais alimentos ricos em fibras na rotina, variando fontes ao longo do dia. Feijões, cereais integrais, frutas, sementes e vegetais são os protagonistas. “Não existe um único tipo de fibra. Quanto mais variado e colorido o prato, mais benefícios para a microbiota intestinal”, diz Almeida.
Benefícios comprovados
Além de regular o intestino, as fibras contribuem para o controle do peso, ajudam a reduzir o colesterol LDL e diminuem o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, como o colorretal. Elas também atuam como prebióticos, alimentando bactérias benéficas que fortalecem o sistema imunológico e influenciam até a saúde mental.
Riscos do exagero
Subir a ingestão de fibras de forma brusca pode causar gases, cólicas e inchaço. Sem hidratação adequada, até a constipação pode piorar. “Acima de 50 g por dia, principalmente com suplementos, há risco de reduzir a absorção de minerais como ferro, cálcio e zinco”, alerta o médico.
Como adotar sem erro
A recomendação é começar aos poucos: trocar o pão branco pelo integral, incluir leguminosas nas refeições, variar frutas e legumes, acrescentar sementes de chia ou linhaça no iogurte. “Não é sobre contar gramas obsessivamente, mas melhorar a qualidade do prato. Pequenas trocas já fazem diferença”, orienta Almeida.

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