
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, que cumpre agenda em Cuiabá nesta segunda-feira (18), fez a defesa da democracia e criticou regimes ditatoriais durante palestra aos estudantes do Liceu Cuiabano. O evento faz parte do projeto Diálogos com as Juventudes, promovido pelo STF, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
Na palestra, Barroso ressaltou que a democracia é um regime de governo onde as pessoas têm direito de participar do debate público, podendo votar ou se candidatar a cargos eletivos, emitindo suas opiniões. No entanto, alerta que não é tão simples quanto parece.
“É isso que é uma democracia. O direito das pessoas participarem em igualdade de condições, livremente, com liberdade de expressão, com liberdade de ir e vir, com liberdade de se reunir. É simples assim a democracia”, exemplificou Barroso.
Patrícia SanchesRdnews
“Parece simples, mas a democracia tem muitas complicações. Na democracia, ninguém é dono da verdade, ninguém tem um poder hegemônico. A gente tem que conversar, a gente tem que dialogar, a gente tem que convencer, a gente tem que conviver com gente que pensa totalmente diferente da gente. É isso que é uma democracia. Pensamento único só existe nas ditaduras. E as democracias têm lugar para todo mundo que respeite as regras do jogo. Tem lugar para conservadores, tem lugar para liberais, tem lugar para progressistas, tem lugar para todo mundo”, completou o presidente do STF.
Ao falar sobre a polarização política do Brasil, Barroso pontuou que a civilidade e capacidade de conviver com quem pensa diferente, sem a necessidade de desqualificar moralmente, se perdeu nos últimos anos. Neste sentido, citou frase do poeta Vinícius de Moraes que diz: bastar-se a si mesmo é a maior solidão.
“A vida tem muitos pontos de observação e ninguém, absolutamente ninguém, tem o monopólio da verdade, tem o monopólio da atitude ou tem o monopólio do amor ao Brasil. E portanto, quando a gente tem um ponto de vista e alguém tem um ponto de vista diferente, a gente coloca os argumentos na mesa e ouve os argumentos do outro. Porque quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, é meu parceiro na construção de uma sociedade aberta e democrática”, pontuou.
Para o ministro, o problema não é a polarização entre pensamentos diferentes. Segundo Barroso, o que precisa ser superado é a intolerância e incapacidade de aceitar outras ideias.
“A democracia deve ser um espaço de igualdade e oportunidade. E por isso, uma escola pública de qualidade como essa, onde tem pessoas mais pobres, pessoas remediadas, pessoas mais ricas, todas têm as mesmas oportunidades de estudar, de aprender as lições de integridade e de ter sucesso na vida”.
Na conclusão da palestra, Barroso reafirmou que na democracia, com as dificuldades e imperfeições que tem, as pessoas devem ser livres e iguais, tolerantes e civilizadas. Por isso, alertou os estudantes sobre os malefícios das ditaduras.
“Se alguém disser que as ditaduras funcionam melhor, que é possível impor à vontade, acreditem em mim, que já vivi uma ditadura. Ditaduras vêm com violência, vêm com tortura, vêm com censura, vêm com falta de liberdade, vêm com pessoas injustas. Democracias são muito complicadas, a gente tem que conviver com gente que pensa completamente diferente. Para aprovar qualquer coisa, a gente tem que convencer muita gente, não é verdade? Mas, difícil como seja, é melhor do que a ditadura”, garantiu.
Por fim, Barroso pediu que os estudantes do Liceu Cuiabano sejam uma geração capaz de conviver civilizadamente com pensamentos diferente. Além disso, criticou discriminações de gênero ou orientação sexual.
“Numa democracia, as pessoas são livres e iguais. Isso vale para mulheres. E nós tivemos um grande avanço na busca de paridade de gênero. Ninguém é melhor por ser do sexo masculino ou por ser do sexo feminino, ou do gênero masculino ou do gênero feminino. As pessoas são iguais e a vida civilizada existe para a inclusão de todos, sem discriminar ninguém, inclusive não discriminar em razão da orientação sexual. A vida é uma festa para a qual todos foram convidados”, concluiu Barroso.
Embora tenha falado de democracia e ditadura, Barroso não citou a ação penal sobre tentativa de golpe de estado em 2023, para impedir a posse de Lula (PT) na presidência da República, que será julgada pelo STF em setembro, dividinho opiniões no país. Entre os réus está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.
Agenda com magistrados
no período vespertino, o ministro vai se encontrar com desembargadores e juízes na sede da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) onde realizará o Diálogos com a Magistratura. O projeto tem sido destaque pela promoção da escuta ativa e proporcionado avanços por meio do implemento de soluções, inovações e fortalecimento da carreira.
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