Prefeito de MT diz que Lula precisa insistir em diálogo com Trump: “Não podemos dar uma de difícil”

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Diante das tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros, o  prefeito de Campo Verde (a 136 km de Cuiabá), Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil), demonstrou preocupação no aumento da produção de commodities agrícolas, como fertilizantes e agrotóxicos. Segundo Oliveira, embora haja um “delay” até que o município seja diretamente afetado, se comparado ao setor da carne, já que é um grande produtor de soja, milho e algodão, o reflexo de tudo isso preocupa muito. 

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“A nossa movimentação ainda é no mercado interno. Então, acaba não nos prejudicando diretamente, do ponto de vista da produção local. Mas, se tratando de um aumento de preço, eu diria que a maior preocupação nossa, enquanto município, mesmo que não seja diretamente aos produtos direcionados ao tarifaço, é o reflexo que isso pode dar no aumento de preço na produção agrícola. Então, para o sistema produtivo da qual a necessidade é vocacionada, há essa preocupação”, disse o prefeito de Campo Verde em entrevista ao .  “ O grande prejudicado em um confronto como esse são as nações que, teoricamente, são mais fracas” Alexandre Lopes, prefeito de Campo Verde

O chefe do executivo municipal destacou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “não pode esperar o momento oportuno para conversar” com Donald Trump, devendo insistir no diálogo com o governo norte-americano, caso contrário o Brasil pode acabar prejudicado.

“Nós não podemos dar uma de difícil: Ah, eu vou ficar aqui aguardando. Não. O grande prejudicado em um confronto como esse são as nações que, teoricamente, são mais fracas. O Brasil é mais fraco. Eu analiso isso da seguinte maneira: todos os outros países que tiveram um confronto semelhante a esse que nós estamos tendo – eu não vou dizer confronto – mas os países que tiveram essa mesma agenda com o governo americano saíram prejudicados”, destacou Oliveira.  Rodinei Crescêncio/Rdnews

Alexandre Lopes (União), prefeito de Campo de Verde

Motivação seria desdolarização no BRICS e não Bolsonaro

Alexandre opinou ainda quanto a possível motivação de Trump ao determinar a taxação no Brasil que,  ao contrário do que tem sido amplamente debatido, o motivo não seria a suposta articulação por parte do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – que defende as sanções como forma de pressão política e possível chance de livrar o pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) das investigações sobre a tentativa de golpe de estado em 2022.  “ O governo brasileiro tem que continuar insistindo na agenda, na fala, fazer com que ele nos atenda, e a gente possa perceber aonde é que nós erramos, onde é que nós falamos o que não devia, para que isso seja corrigido” Alexandre Lopes de OliveirA

Para Oliveira o motivo real seria a discussão sobre a desdolarização realizada na 17ª Cúpula do BRICS, realizada em julho deste ano, no Rio de Janeiro. Conforme publicado na declaração final dos líderes, o intuito da discussão é abrir caminhos que garantam maior cooperação entre os sistemas financeiros nacionais, para criar um sistema de pagamentos interbancários que substitua o da Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (Swift) – utilizado atualmente – que possui grande influência dos Estados Unidos, visto que muitas transações globais são realizadas por meio de dólares norte-americanos.

Segundo Oliveira, esse foi um “grande erro”, pois, para o prefeito, o Brasil não poderia ter “confrontado o governo americano” de tal forma.

“Eu não acredito que uma imposição do filho do Bolsonaro vai criar no presidente americano uma ação como essa. Então, assim, eu não vejo que ele se deixe levar por assuntos relacionados ao filho do Bolsonaro. Eu, particularmente, vejo que a gota d’água para esse distúrbio todo foi a nossa colocação no BRICS, quando nós tentamos fazer com que a desdolarização da moeda ocorresse”, declarou. 

Alexandre complementa que Trump é “volátil” em suas ações, mas que ao impor debates ele “joga bem” e que o Brasil precisa perceber onde errou e corrigir o que deve ser corrigido.  “O governo brasileiro tem que continuar insistindo na agenda, na fala, fazer com que ele nos atenda, e a gente possa perceber aonde é que nós erramos, onde é que nós falamos o que não devia, para que isso seja corrigido”, concluiu. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria – via RD News

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