
Alguns aeroportos do Centro-Oeste e Norte do País já estão em alerta com o período de queimadas. Em casos mais graves, os aeroportos podem ser obrigados a emitir um alerta neste período de seca e altas temperaturas e até serem fechados temporariamente por questões de segurança.
Somente nos primeiros dias de agosto, mais de cinco ocorrências de incêndios no sítio aeroportuário de Goiânia foram registradas. Em Várzea Grande, parte da vegetação que cerca a pista de decolagem foi consumida pelo fogo no ano passado e em anos anteriores também.
Quando ocorrem incêndios, a fumaça pode prejudicar a visibilidade do piloto, dificultando a aterrissagem e a decolagem seguras das aeronaves, colocando em perigo os passageiros a bordo. Existe também o risco de o fogo se alastrar pelas instalações do aeroporto e atingir o posto de abastecimento de combustível.
“Os aeroportos estão situados em áreas com muita vegetação. Por essa razão, é preciso que todos tenham um cuidado extra e evitem ações que possam causar incêndios, como queimar lixo ou jogar bitucas de cigarro, que podem criar faíscas e causar incêndios. Isso afeta a segurança de todos, incluindo as operações dos aeroportos e dos passageiros”, ressalta o experiente piloto Gustavo Souza Kelly, que conhece bem o espaço aéreo mato-grossense.
Segundo o comandante e ex-piloto de linha aérea internacional, com mais de 10 anos de experiência na aviação, e especialista em segurança da aviação civil, a fumaça é um fator crítico no que tange a segurança das operações de pouso e decolagem, principalmente por ser a região do Mato Grosso uma área que abrange muitas aeronaves de pequeno e médio porte.
“Muitas vezes essas aeronaves navegam por referências visuais, ou seja, sem o auxílio de instrumentos para a sua navegação e auxílio a aproximação para pouso. Com isso, se faz totalmente necessário um maior investimento em medidas públicas para a redução das queimadas, e um constante treinamento técnico, melhora nos serviços de informações meteorológicas, provendo mais detalhes e exatidão de informações e exímia análise técnica por parte dos aviadores”, comentou o comandante.
Gustavo se recorda de um episódio que aconteceu com ele, quando ainda voava por uma grande companhia. O fato aconteceu no Aeroporto Internacional de Cuiabá, quando, mesmo estando em um Airbus A321 NEO, uma das aeronaves mais modernas e tecnológicas do mundo, teve que arremeter e não conseguiu pousar devido a densa fumaça que restringiu a visibilidade da pista quando atingiram os mínimos operacionais de aproximação.
“A preparação de um voo na aviação comercial se faz em elevados padrões e regras, o que não é o caso da aviação executiva, que muitas vezes ou em quase a sua totalidade, apenas tem o piloto como barreira para prevenção de um incidente ou acidente. Com isso, uma aeronave de pequeno porte, por exemplo, que decola com combustível suficiente para fazer um voo de A para B com duração de duas horas, sob regras visuais, deverá, por legislação, colocar durante o dia o combustível necessário para voar com uma reserva de mais 30 minutos”, alerta.
O comandante questiona ainda a necessidade desse combustível reserva, exatamente por conta dos riscos de impedimento de aterrisagem.
“Aí eu te pergunto: se a aeronave de pequeno porte leva duas horas para chegar até Cuiabá, por exemplo, saindo de Sorriso, chegará com 30 minutos de voo, sendo que, supondo ter fumaça a um nível em que o aeroporto seja fechado, o piloto não terá para onde ir e um acidente aeronáutico irá provavelmente acontecer, caso o piloto seja inexperiente”, alertou.
Conforme o Art. 261 do Código Penal, que trata de expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar atos com a intenção de impedir, ou dificultar a navegação marítima, fluvial ou aérea: a pena é de reclusão de dois a cinco anos.
Gustavo Souza Kelly é Bacharel em Ciências Aeronáuticas pela UNESA, Pós Graduado em Segurança da Aviação Civil pela UNESA e em Engenharia de Manutenção Aeronáutica pela PUC-MG, além de Mestrando em Consultoria e Desenvolvimento Organizacional pela Universidad Europea del Atlántico – Santander, Espanha, Ex-Piloto de Linha Aérea da LATAM, com mais de 100 Cursos e Certificações Nacionais e Internacionais na área da Aviação Civil, com mais de 10 de experiência na área, Ex-Instrutor de Voo, Atualmente Comandante de Jatos Executivos de Autoridades e Grandes Empresários, atuando em voos nacionais e internacionais por mais de 25 países.

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