
A deputada estadual Janaina Riva (MDB), que participa do Seminário Justiça Territorial, promovido pela Aprosoja MT e pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) nesta quinta-feira (14), afirma que o protesto dos indígenas em frente ao local do evento é legítimo. No entanto, acredita que os manifestantes podem estar sendo usados como “massa de manobra” por ONGs estrangeiras que se movimentam contra o agronegócio brasileiro.
Reprodução
A mobilização dos indígenas denuncia a defesa do marco temporal e da PEC 24/2025 por parte dos organizadores, bem como o avanço da soja e de projetos de infraestrutura como as ferrovias Ferrogrão e a FICO, que segundo os manifestantes, ameaçam territórios indígenas, áreas de preservação e a segurança alimentar no Brasil.
“É um movimento é legítimo, que tem representantes indígenas, mas a impressão que nós temos, olhando de fora, é que geralmente eles são usados como massa de manobra daqueles que têm interesse em barrar a produção brasileira. São as ONGs, são aqueles que estão por trás de todos esses movimentos. Porque em grande parte do Estado, eu quero registrar aqui, os indígenas são parceiros do desenvolvimento”, disse Janaina Riva, ao chegar no evento.
Janaina Riva pontua que, apesar do protesto, existem indígenas favoráveis a Ferrogrão. Segundo a parlamentar, a ferrovia vai trazer mais qualidade de vida para as aldeias que serão impactadas pelo empreendimento.
“Você vê placa, por exemplo, contra a Ferrogrão. Mas quando você vai in loco, você vê que o indígena que está ali, ele quer que a Ferrogrão aconteça”, disse. “Então, quando você vai, por exemplo, trabalhar as estradas, enfrentamos isso na 170, que era a antiga BR-174, os indígenas iam aos manifestos apoiando a pavimentação. Gente, é mais qualidade de vida para eles também. Então, eu não sei de onde são os indígenas que estão aqui, não os conheço, acredito que daqui a pouco também estarão conosco”, completou Janaina.
Conforme a deputada, a classe política precisa conhecer a realidade dos indígenas de Mato Grosso para poder atender seus anseios. Para Janaina, o caminho mais correto é incluí-los na produção agrícola, a exemplo dos Paresi de Tangará da Serra, que vivem da soja produzida nas suas terras.
“É importante para a gente conhecer, entender a realidade deles também. Mas eu tenho plena convicção de que o caminho para os nossos indígenas é mais condição financeira para poderem ter uma vida mais digna. E que a produção combinada a isso é o caminho”, concluiu.
Seminário Justiça Territorial
Segundo a Aprosoja-MT e AMM, o objetivo do seminário é promover um debate técnico e qualificado sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 24/2025, que transfere ao Congresso Nacional a competência para criação de áreas de preservação ambiental e demarcação de terras indígenas.
As entidades destacam que pelo menos 22 municípios de Mato Grosso podem ser impactados com novas demarcações. Neste sentido, afirmam que a situação compromete não apenas a gestão municipal, mas também o direito à propriedade e o planejamento de políticas públicas.
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