
O ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro (PSD) voltou a criticar o tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. Segundo ele, o presidente norte-americano, Donald Trump, tenta interferir nos países para criar nova fórmula de comércio mundial, o que considera incompreensível.
“O mundo não precisa de um imperador, o mundo não precisa de um tirano para dizer como as coisas vão acontecer. Nós temos que, antes de mais nada, respeitar as democracias, nós temos que, antes de mais nada, privilegiar o diálogo e o Brasil está sempre aberto ao diálogo”, disse Fávaro à imprensa, nesta quarta-feira (06).
Caroline De Vita
Para Fávaro, o diálogo e a diplomação tem sido as marcas do Governo Lula (PT) no cenário internacional. Para comprovar a afirmação, cita a constante abertura de novos mercados aos produtos produzidos no país.
“Veja, para mostrar isso de forma inconteste, como no governo do presidente Lula, o diálogo, a boa diplomacia, as boas relações de amizades surtem em efeitos, em dois anos e sete meses, nós ampliamos os mercados para a agropecuária brasileira em 398 novos mercados”, completou.
Segundo Fávaro, o governo brasileiro está aberto ao diálogo permanente para corrigir eventuais distorções. No entanto, lembra que as medidas impostas por Donald Trump não fazem sentido já a balança comercial dos Estados Unidos é superavitária em relação ao Brasil.
“O Brasil está aberto a dialogar, a dizer: olha, o seu país está me gerando um problema comercial, precisamos sentar e discutir uma tarifa. Até porque não faz sentido com os Estados Unidos, porque eles são superavitários com o Brasil, eles vendem mais do que compram”, explicou o ministro.
Além disso, Fávaro declarou que causa estranheza a atitudes de brasileiros que se dizem patriotas e estão no exterior articulando medidas contra o Brasil. Mesmo sem citar nome, se referiu ao deputado federal Carlos Bolsonaro (PL-SP), que articulou o tarifaço contra o Brasil na tentativa de garantir anistia ao seu pai, ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), réu na ação penal sobre a suposta tentativa de golpe de estado em 2023, hoje em prisão domiciliar imposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, por descumprimento de medidas cautelares.
“O que causa muita estranheza também é ter brasileiros apostando em aumentar as tarifas. Quem tinha como lema defender a pátria, qual a pátria que estão se defendendo? Qual a consciência de quem está fazendo isso contra os brasileiros? Não está fazendo isso contra o presidente Lula, não está fazendo isso contra o ministro da Agricultura, está fazendo contra os brasileiros”, pontuou.
O ministro também disse que o diálogo vai prevalecer. Com isso, aposta que produtos como carnes, café, mel e pescados, tarifados em 50%, devem voltar às alíquotas normais.
“Eu acho que o diálogo vai prevalecer, nós vamos superar o desafio das carnes, nós vamos superar o desafio do café, do mel, do pescado e também dos demais produtos. Sempre com diálogo, com bom senso e é essa a determinação do presidente Lula”, concluiu.
Tarifaço em vigor
Entraram em vigor, nesta quarta-feira, as tarifas de 50% impostas sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A medida, assinada na semana passada, afeta 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado estadunidense, o que representa 4% das exportações brasileiras. Cerca de 700 produtos do Brasil ficaram fora do tarifaço.
Café, frutas e carnes estão entre os produtos que passam a pagar uma sobretaxa de 50%. Ficaram de fora dessa taxa suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes, polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.
O tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada por Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter à relativa perda de competitividade da economia americana para a China nas últimas décadas.
No dia 2 de abril, Trump iniciou a guerra comercial impondo barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, foi imposta, em abril, a taxa mais baixa, de 10%.
Porém, no início de julho, Trump elevou a tarifa para 50% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo ele, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro.
Em pronunciamento, Lula ressaltou que não quer desafiar os Estados Unidos, mas que o Brasil não pode ser tratado como uma “republiqueta”. O presidente disse ainda que pais não abre mão de usar moedas alternativas ao dólar.
O governo brasileiro informou ainda que o plano de contingência para auxiliar as empresas afetadas pelo tarifaço será implementado nos próximos dias, com linhas de crédito e possíveis contratos com o governo federal para substituir eventuais perdas nas exportações. (Com informações da Agência Brasil)
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