
O grupo de alunas de uma escola estadual de Mato Grosso que gravou um vídeo enquanto agredia uma adolescente , foi criado inspirado em facções criminosas. As garotas teriam ainda espancado outras quatro colegas que “descumpriram” as regras do grupo. A informação foi revelada pelo delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, responsável pelo caso.
O vídeo do caso viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (05) e envolve alunas da Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia (a 415 km de Cuiabá).
Segundo o delegado, o grupo, que também inclui a vítima, é formado por cerca de 20 alunas que adotavam regras semelhantes às de facções. “Talvez inspirados por essa bandidolatria que infelizmente está consumindo o nosso país, resolveram criar um grupo definindo regras, líder, disciplina, copiando mais ou menos o que ocorre dentro das facções criminosas”, explica.
“Hoje, infelizmente, a internet trouxe também essas consequências. É possível qualquer um acessar a internet e ler o estatuto de várias facções que existem pelo Brasil. Elas resolveram montar esse grupo e definir ali algumas atribuições, algumas regras e essa aluna que foi agredida teria descumprido uma dessas regras”, relata.
Ainda de acordo com Marcos Paulo, a menina foi agredida após ter recusado a dar um ‘geladinho’ a uma das colegas. “Ela foi agredida de forma covarde. Inclusive uma das regras, durante a agressão, é que não pode chorar, porque se chorar a agressão é ainda maior”, conta.
O delegado também informou que as famílias de algumas das meninas que fazem parte do grupo têm envolvimento com facção criminosa, “o que talvez pode ter culminado nessa ideia de criar esse grupo, de reproduzir aquilo que talvez aconteça em casa dentro do ambiente escolar”.
Marcos Paulo informou que irá recomendar ao Ministério Público a internação das adolescentes envolvidas. “O Ministério Público vai receber esse procedimento e vai adotar as providências dentro do Estatuto de Criança e Adolescente. Dentre as providências que poderão ser tomadas, tem a questão da internação, que é a sanção mais grave no âmbito do sistema da criança e adolescente. Tem também o aconselhamento, alguma reprimenda. É o que nós podemos fazer diante da legislação em vigor”, salienta.
Em nota, a Seduc informou que as equipes gestora e psicossocial da unidade e da Diretoria Regional de Educação já foram mobilizadas para prestar atendimento à vítima, aos demais envolvidos e às suas famílias, com o objetivo de oferecer acolhimento e suporte necessários.
“O caso já foi registrado junto a autoridade policial competente e, paralelamente, a Seduc está tomando as medidas disciplinares cabíveis, conforme as normas do Regimento Escolar e demais legislações vigentes, com providências firmes para que situação como esta não se repita, aplicando punições exemplares dentro do que permite a legislação”, diz a nota.
Por fim, a Seduc reafirma o compromisso com a promoção de um ambiente escolar seguro, respeitoso e acolhedor.
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