
Rodinei Crescêncio/Rdnews
“A montanha pariu um rato”. A afirmação é do economista, consultor e ex-secretário do Tesouro de Mato Grosso Vivaldo Lopes. Para ele, o propagado tarifaço do governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, desidratou e polpou principalmente os produtos brasileiros que têm maior valor agregado – como aviões, peças para aeronaves, petróleo, gás, minérios e suco de laranja. “A gente saiu no lucro, vamos dizer assim. Saiu no lucro. Na minha leitura eu cheguei a criar uma frase que o que vai acontecer dia 06 de agosto é que a montanha pariu um rato”, opina o economista, em entrevista ao .
Segundo a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o tarifaço afeta diretamente a exportação de 41 dos 54 produtos que Mato Grosso envia para os EUA, ou seja, 76% – sendo que há 6 produtos que o Estado mais exporta – veja quadro. Isso porque, ao oficializar o “tarifaço”, Trump excluiu da lista quase 700 itens.
Em 2024, foram exportados US$ 415 milhões e os produtos taxados representam US$ 266 milhões, ou seja, 65% do valor. Conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mato Grosso deve perder R$ 648 milhões do PIB, cerca de 0,21% do PIB Estadual, sendo o 16º mais impactado no volume financeiro. Atualmente, as exportações para os Estados Unidos representam apenas 1,5% do total que Mato Grosso envia para o exterior. “Essas loucuras trumpianas aí, vão afetar pouco a economia do Brasil e bem menos a economia de Mato Grosso”, disse Vivaldo.
Apesar de avaliar que os danos foram mitigados e que, no caso específico de Mato Grosso, os impactos negativos não serão expressivos – do ponto de vista global, levando em consideração que os Estados Unidos é destino de apenas 1,5% das exportações feitas por Mato Grosso – Vivaldo ressalta que alguns setores serão duramente penalizados e que precisam do auxílio dos governos federal e estadual para não quebrar e também garantir a manutenção dos empregos gerados. Entre os mais afetados estão os exportadores de carne e madeira.
“Apesar do impacto na economia de Mato Grosso ser baixo, mas nas empresas que exportam, o impacto vai ser muito grande. Porque eles exportam boa parte da sua produção. É real, e pelo que a gente vê, eles [EUA] não devem recuar, não”, pontua, frisando a necessidade de que as empresase entidades continuem as conversas com os seus parceiros, que importam os produtos do Brasil, para que façam pressão no Congresso e no Governo Donald Trump.
O economista defende que o Governo Lula (PT), além de seguir nas negociações, socorra os afetados com três medidas, a exemplo do que foi feito à época da pandemia da covid-19: A primeira seria a viabilização de uma linha de decreto para financiar o capital de giro dessas empresas – similar ao Pronampe – com taxa de juros baixa e com 12 meses de carência; a segunda seria exigir que o governo devolva os créditos retidos durante o processo de exportação – isso porque as empresas acabam pagando impostos (como PIS, COFINS), mesmo sendo isentas e têm direito à devolução que, muitas vezes demora.; e por fim que, exemplo da época da pandemia, o governo federal custei parte dos salários dos trabalhadores, evitando a demissão.
“Para financiar essas empresas ou para dar férias coletivas, manter o salário dos empregados, enfim, para manter vivas [as empresas] para enfrentar esse período turbulento”.
Em relação ao governo estadual, Vivaldo avalia que a Fiemt pode atuar para que o Executivo também reconheça os créditos do ICMS, que essas empresas exportadoras – afetadas pelo tarifaço – provavelmente têm perante o fisco estadual, reconhecer os créditos. “E reconhecendo o crédito que essas empresas têm perante o fisco estadual, usar esse crédito para abater o pagamento do ICMS nos próximos 12 meses”, explica.
Annie Souza/Rdnews
Tarifaço, negociações e novos mercados
Ao oficializar o tarifaço, Donald Trump deixou de fora das medidas quase 700 produtos como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos. Por outro lado, foram impostas sanções pesadas em setores como o de café, carne bovina e frutas.
O governo federal, por sua vez, segue firme nas negociações para tentar incluir mais itens nestas exceções. Questionado se vê espaço para isso, Vivaldo acredita que produtos como a carne e madeira talvez ainda possam entrar na lista, o que auxiliaria Mato Grosso.
De todo modo, economista ressalta que é necessário buscar novos mercados o quanto antes para evitar que o país fique refém dos Estados Unidos, que hoje se mostra instável. “É difícil mudar de mercado, deixar exportar para os Estados Unidos e mandar para outros locais, para outros países? Sim. É difícil, mas será necessário, porque a gente não pode ficar refém dos humores e maus humores de um presidente americano que pode ser que no mês que vem resolva tributar em 100% os produtos do Brasil. É o pior presidente que os Estados Unidos já teve”, critica.
Questionado se acredita que o Brasil também pagará na mesma moeda, com tarifas, Vivaldo acredita que não. Para o economista, o país poderá atuar de forma pontual com a quebra de patentes de medicamentos; ou por exemplo incentivos que torne mais acessível a importação de aeronaves francesas e não as americanas, por exemplo.
Pressão interna
Paralelo às negociações, o economista também acrredita que a pressão interna surta efeito junto ao governo. Acontece que a tendência é que vários produtos fiquem muito caros, o que deve atingir em cheio a popualçao americana. “Quando ele começa a ver que o café ficou mais caro, que o hambúrguer dele ficou mais caro, que o calçado que ele usa lá ficou mais caro, porque são importados do Brasil, só para ficar em alguns, eles vão naturalmente, a inflação vai aumentar e eles vão ficar insatisfeitos e pressionar o presidente Trump a recuar”.
Além disso, os empresários verão seus custos ficarem cada vez mais altos, o que deve prejudicar a economia do país. “E algumas [empresas] não sobreviverão, não vão aguentar ficar sem a importação de alguns produtos, porque com 50% não é tarifa, é embargo”.
Por fim, vivaldo acredita que o Congresso Norte-Americano poderá ser ter papel fundamental nesta batalha das tarifas impostas ao Brasil, fazendo com que Donald Trump recue.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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