
Suposta quadrilha, formada por advogados e servidores do Tribunal de Justiça , teria engendrado um complexo esquema de fraudes para desviar recursos da Conta Única do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, onde são feitos os depósitos judiciais de ações que tramitam no Poder Judiciário.
Entre as vítimas do esquema estaria uma mulher com esquizofrenia e que está interditada há 10 anos. “Eu fiz a oitiva dela na presença do curador, que era o marido dela, o advogado. Inclusive, ela tem laudo da Politec [da esquizofrenia]”, revela o delegado Pablo Carneiro, da delegacia Estelionatos de Cuiabá, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30).
João Aguiar/Rdnews
O delegado explica que a investigação teve início há cerca de 60 dias após uma denúncia feita, inicialmente, na Delegacia de Combate à Corrupção. A vítima procurou a polícia porque percebeu que existia uma ação em nome dela, constatando como executada, e depois verificou que existiam outras nove ações em nome dela.
“Ela estranhou que essas ações já estavam como quitadas e ela sequer tinha conhecimento dessa ação. Ela procurou a Delegacia, pensando que às vezes poderia estar sendo utilizado o nome dela para uma lavagem de capitais”, diz o delegado.
No curso das investigações, entretanto, o delegado ressalta que se verificou a existência de um esquema de fraudes , tendo o Tribunal de Justiça como a principal vítima desses crimes.
“Funcionava basicamente assim: uma parte dessa quadrilha, dessa organização criminosa, composta ali basicamente por empresários e advogados, ingressava com essas ações de execução de títulos extrajudiciais, execução de cheques e notas promissórias, e outra parte desses advogados ingressavam no polo passivo, juntando procurações falsas de clientes – que depois nós tomamos o depoimento, já confirmaram que não passaram essas procurações -, e no decorrer do processo, havia ali a homologação, a juntada de um acordo, ou o depósito voluntário para quitação dessa dívida. Então, a pessoa que estava sendo executada voluntariamente se apresentava aos autos e fazia esse depósito”, detalha o delegado.
Pablo explica que, na realidade, essa pessoa que estava sendo executada sequer tinha conhecimento desse processo e que o comprovante de depósito que era juntado aos autos era falso.
Ao todo, 11 pessoas foram alvos de mandados de prisão preventiva . São eles: Wagner Vasconcelos de Moraes; Melissa Franca Praeiro Vasconcelos de Moraes; João Gustavo Ricci Volpato; Luiza Rios Ricci Volpato; Augusto Frederico Ricci Volpato; Rodrigo Moreira Marinho; Themis Lessa da Silva; João Miguel da Costa Neto; Régis Poderoso de Souza; Denise Alonso.
O servidor do TJMT Mauro Ferreira Filho não foi localizado e é considerado foragido.
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