
Mato Grosso teve queda no número de mortes decorrentes de intervenção policial em 2024 na comparação com 2023, mas é o 5º estado com maior número de “CPF cancelado” a cada 100 mil habitantes. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Já a Capital registrou 30 mortes por internveções policiais em 2024, um leve aumento em relação às 28 mortes em 2023.
Anuário de Segurança Pública
Em dados absolutos, MT é o 7º estado com maior número de mortes. No entanto, ao analisar o índice populacional, Mato Grosso fica em 5º lugar no ranking, com 5,6 mortos pela polícia a cada 100 mil habitantes. O estado só fica atrás de Amapá (17,1), Bahia (10,5), Pará (7,0) e Sergipe (6,3). Segundo o relatório, em 2024, Mato Grosso registrou uma queda de 4% no número de mortes decorrentes de intervenção policial. No ano passado foram 214 mortos em ações policiais, sejam da Polícia Civil ou Militar. Já em 2023, o número tinha sido de 223.
Anuário de Segurança Pública
O número coloca MT acima da média nacional, que foi de 2,9 mortos em ações policiais a cada 100 mil habitantes. Segundo os dados, 19% das mortes violentas intencionais em Mato Grosso são durante intervenções policiais. Esse índice também está acima da média nacional, de 14%. Confome o anuário, a taxa revela um patamar acima no padrão de uso letal da força pelas polícias militares e civis no Estado.
Anuário de Segurança Pública
“Observa-se que, embora o país esteja diante de redução dos homicídios e latrocínios, a letalidade provocada por agentes do Estado permanece elevada em várias polícias do país, à esquerda ou à direita do espectro político. Essa dificuldade no controle do usa força letal no bojo das corporações policiais está, em certa medida, relacionada a culturas organizacionais há muito arraigadas nos padrões operacionais, mas é, em última instância, uma decisão política e institucional das lideranças políticas”, diz o estudo.
De acordo com o anuário, esses números altos índices podem indicar o uso ilegítimo da força. “Especialmente quando acompanhados da normalização de operações policiais que sistematicamente resultam na morte de civis, somadas a discursos ideológicos que exaltam a letalidade como sinônimo de eficiência. Essa combinação revela um processo de milicianização das forças de segurança e o avanço da corrupção entre seus agentes”, pontua outro trecho.
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