Deputado admite ser difícil defender Lula em MT, mas quer “pagar o preço”

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O deputado federal Emanuelzinho, vice-líder do Governo Lula (PT) na Câmara dos Deputados, admite que é difícil defender o petista em Mato Grosso, devido ao perfil conservador da maioria do eleitorado, que simpatiza com ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL). Além disso, tem consciência que sua opção política pode dificultar seu projeto de reeleição em 2026.

No entanto, Emanuelzinho diz que está pronto para pagar o preço por defender mudanças estruturais no país e justiça social. Como exemplos, cita a trajetória dos ex-presidentes da República João Goulart e Dilmar Rousseff (PT).

Annie Souza/Rdnews

“É difícil [defender Lula em MT], mas não estou defendendo o Lula. Minha defesa não é do Lula. A defesa é de uma política econômica que possa reorganizar o Brasil de forma que a gente tenha uma economia que cresça e distribua a renda. Durante a ditadura militar [1964-1985] a economia cresceu 11%, 12% e não teve distribuição de renda. E o Brasil,  até os anos 90, até mesmo pós Plano Real, o Brasil quebrou três vezes na época de FHC. Foi somente quando entrou uma política econômica mais heterodoxa que a gente conseguiu fazer com que o Brasil se desenvolvesse com inclusão social”, disse Emanuelzinho em visita ao Grupo .

Sobre o projeto de reeleição, Emanuelzinho pondera que a aliança com Lula o deixa mais vulnerável à criticas. Porém, lembra que todos que fazem política defendendo os mais vulneráveis e o fim dos privilégios da elite são duramente atacados.

“Não sei se dificulta a reeleição, naturalmente me torna vulnerável a muitas críticas. Mas, historicamente, o Brasil foi assim. João Goulart foi deposto por querer fazer uma reorganização do Estado brasileiro. A presidente Dilma foi derrubada a partir também de uma insatisfação do Congresso e de elites. Ou seja, o Brasil tem esse histórico de derrubada de quem quer mexer nos seus privilégios”, pontuou o parlamentar.

 “Por isso que estou muito convicto daquilo que eu defendo, muito convicto daquilo que eu acredito e pronto para aceitar qualquer consequência e ir para o debate, para o diálogo. Qualquer deputado de Mato Grosso que venha discutir comigo sobre isso aqui não vai conseguir convencer a população”, completou.

Emanuelzinho ainda defende a taxação dos super-ricos. Por isso, se diz favorável a medidas como reajuste do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e Imposto Territorial Rural (ITR).

“Estou pronto para mexer nesses privilégios. Então, se for atacado por isso, eu não me omito e estou pronto para enfrentar qualquer crítica e me tornar de peito aberto na defesa do que eu acredito. A estratégia dos líderes ligados ao governo é essa mesma, de escancarar os pobres contra os ricos, é escancarar o que está velado há 500 anos no Brasil. Essa não  é uma realidade nova. Veja, o município de São Paulo arrecada mais com o IPTU   do que o Brasil arrecada, o Brasil inteiro, com o Imposto Territorial Rural. As grandes fazendas, os fazendões, pagam menos tributo no Brasil inteiro do que no seu município. Isso é razoável? Isso é justo? Isso vem de capitanias hereditárias, das sesmarias, vem lá do Brasil colônia ainda. Quando a gente quer mexer nisso, encontra resistência”, exemplificou.

Em relação ao IOF, que teve o decretado presidencial derrubado pelo  Congresso Nacional e está judicializado no Supremo Tribunal Federal (STF), Emanuelzinho lembrou que a alíquota subiria de 3,4% para 3,5% nas transações por cartão de crédito entre pessoas físicas e pessoas jurídicas. A medida, conforme ele, possibilitaria a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil.

Annie Souza/Rdnews

“A gente queria fazer que quem está pagando menos e está no topo da pirâmide possa pagar mais para que a gente possa impor a isenção do Imposto de Renda  para quem ganha até R$ 5 mil. Com a isenção, o trabalhador  vai ter mais dinheiro para fazer uma compra melhor no supermercado, vai ter dinheiro para poder planejar uma viagem investindo no turismo brasileiro, vai ter condições de fazer uma reforma  na sua casa. Com isso, a gente movimenta a economia como um todo”, defendeu. “A gente enfrenta uma resistência muito grande. São essas questões que dificultam a nossa luta, mas   a gente está muito convicto de que estamos no caminho certo”, concluiu Emanuelzinho.

Desconfortável no MDB, que caminha para o centro-direita em Mato Grosso, Emanuelzinho deve sair do partido na próxima janela, prevista para março de 2026. O destino deve ser o PSD do ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro.

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Link da Matéria – via RD News

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