
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve neste fim de semana no Assentamento Santo Antônio da Fartura, em Campo Verde (MT), para lançar o programa Solo Vivo e entregar máquinas agrícolas a pequenos produtores. Lula escolheu Mato Grosso — um estado majoritariamente bolsonarista — para mandar um recado claro a aliados e adversários: a partir do segundo semestre, pretende percorrer o país fazendo política. A declaração foi interpretada como um sinal evidente de que o presidente pretende disputar a reeleição. Ricardo Stuckert/ PR
Lula percorre assentamento em trator para conhecer programa Solo Vivo
“No mês que vem, vou fazer política neste país. Vou começar a percorrer o Brasil porque chegou a hora de assumirmos a responsabilidade de não permitir que a mentira, a canalhice e as fake news ganhem espaço, enquanto a verdade é soterrada neste país”, afirmou Lula no evento realizado no último sábado (24), que reuniu cerca de 5 mil pessoas. O público ocupou as 4 mil cadeiras disponibilizadas pela organização, com muitos se aglomerando em pé para ouvir o presidente. Centenas de carros, vans e ônibus tomaram todos os espaços possíveis para estacionamento.
Apesar da expressiva presença de público, Lula “pregou para convertidos”, já que a plateia era formada majoritariamente por militantes do PT e de partidos aliados vindos de todo o estado, além de integrantes do MST, outros movimentos sociais, indígenas e servidores de órgãos federais envolvidos na organização.
O local do evento estava repleto de faixas de agradecimento a Lula, ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), e a outros políticos aliados. Após o encerramento, já passado do meio-dia, foram servidos 10 bois no rolete, acompanhados de mandioca e salada produzidas nos assentamentos beneficiados pelo programa Solo Vivo.
Durante o evento, Lula também prometeu gás de cozinha gratuito para a população de baixa renda. Em fevereiro, o presidente já havia feito promessa semelhante a 22 milhões de famílias, o que ainda não se concretizou.
“O botijão de gás é vendido pela Petrobras para as empresas a R$ 37. Não faz sentido ele chegar ao povo por R$ 120, R$ 130 ou R$ 140. Alguém está lucrando muito. Vamos garantir que o gás chegue barato. As pessoas que estiverem no CadÚnico não precisarão pagar. Aproximadamente 22 milhões de famílias serão beneficiadas, porque essas pessoas precisam. Tudo isso será anunciado ainda neste mês”, completou.
Apesar da relevância dos temas abordados, a visita de Lula não mobilizou a classe política de Mato Grosso. O governador Mauro Mendes (União Brasil) esteve presente apenas de forma protocolar, enfrentou vaias de uma plateia hostil a seus posicionamentos políticos e sequer mencionou o evento em suas redes sociais.
Apenas três deputados estaduais compareceram: os petistas Valdir Barranco e Lúdio Cabral, e Wilson Santos (PSD). Dos oito integrantes da bancada de Mato Grosso na Câmara dos Deputados, nenhum esteve presente — incluindo o deputado federal Emanuelzinho (MDB), vice-líder do Governo Lula, que foi pai recentemente e está cuidando da família. Entre os representantes do estado no Senado, somente o ministro Carlos Fávaro, que é senador licenciado e atuou diretamente na organização do evento, marcou presença.
Outros dois ministros estavam na comitiva. São eles, Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Márcio Macedo (Secretaria Geral da Presidência da República), ambos petistas. O presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, também participou da agenda presidencial em Mato Grosso.
Repercussão nacional
Ainda em solo mato-grossense, Lula voltou a defender a regulamentação das redes sociais, o que gerou repercussão nacional. Segundo ele, a medida visa combater ofensas e provocações na internet.
“É preciso que a gente discuta com o Congresso Nacional a responsabilidade de regulamentar o uso dessas plataformas no país. Não é possível que tudo tenha controle, menos as empresas de aplicativos”, concluiu. Ricardo Stuckert/ PR
Presidente Lula com ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro, idealizador do Solo Vivo
Solo Vivo
O presidente lançou o programa Solo Vivo, voltado à recuperação de solos degradados em propriedades de agricultores familiares de Mato Grosso. O projeto conta com um investimento inicial de R$ 43 milhões.
Idealizado pelo Mpa, o programa Solo Vivo trabalha para a recuperação de solo degradado, visando aumentar a produtividade e competividade dos agricultores familiares.
O objetivo é reduzir as desigualdades na produção rural. A iniciativa conta com a parceria do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Mato Grosso (Fetagri/MT).
O IFMT é responsável pela análise do solo nos locais selecionados pela Fetagri e, a partir do laudo, o Mapa fornece equipamentos, máquinas e insumos necessários para a preparação do solo.
Piloto do programa, Mato Grosso terá 10 assentamentos beneficiados, inicialmente. Além de Campo Verde, são realizadas coletas e análise de solo em propriedades de Alto Araguaia, Poconé, Rosário Oeste, Barra do Bugres, São Félix do Araguaia, Matupá, Juína, Pontes e Lacerda e São José dos Quatro Marcos.
Assentamento abastece Cuiabá e VG
O Assentamento Santo Antônio da Fartura, localizado a cerca de 45 km do centro de Campo Verde, é um dos maiores e mais organizados assentamentos de reforma agrária do estado. Criado oficialmente em 2002, ele abriga aproximadamente 820 famílias, somando cerca de 3.200 moradores.
A comunidade conta com uma infraestrutura completa, incluindo escolas, unidades de saúde, comércio, igrejas e vias pavimentadas. A principal atividade econômica é a agricultura familiar, com produção de hortaliças, frutas e legumes, sendo responsável por cerca de 70% do abastecimento desses produtos em cidades como Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis.
O assentamento também possui uma agroindústria administrada pela Coopersaf, que produz derivados da cana e do trigo, como rapadura, melaço, caldo de cana, açúcar mascavo e bolos. A proximidade com a BR-070 facilita o escoamento da produção e o acesso à região.
Outras ações
Além disso, Lula entregou máquinas agrícolas, concedeu 78 títulos de domínio para assentamentos da região e anunciou investimentos de R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — valor já previamente liberado — para a pavimentação da rodovia BR-163, que liga Tenente Portela (RS) a Santarém (PA).
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