
As investigações que culminaram nas prisões de Márcio Júnior Alves do Nascimento e Eliza Severino da Silva apontam para uma “atuação coordenada e tomada de decisões estratégicas” na gestão da empresa Imagem Eventos, que lesou milhares de formandos em Cuiabá e Várzea Grande. Pouco antes da empresa encerrar atividades, promoções de álbuns de fotografias eram divulgadas ao custo de até R$ 20 mil por cliente. Além disso, há indícios de que familiares de um dos gestores também estariam envolvidos, auxiliando na ocultação de bens e na continuidade da exploração comercial dos serviços.
Estes apontamentos constam em decisão que balizou a Operação Ilusion. São citados Antonia Alzira Alves do Nascimento, mãe de Márcio, e também Marcos Vinicius Alves do Nascimento, irmão de Márcio. A atuação da mãe se daria como “laranja”, já que, embora a empresa estivesse formalmente registrada em seu nome, ela não exercia qualquer papel na administração do negócio.
Já o irmão, Marcos Vinicius, seria dono da Vini Produções, empresa registrada em seu nome e sediada em João Pessoa (Paraíba). A empresa prestaria serviços para a Imagem, segundo os autos, “buscando garantir sua continuidade no mercado de formaturas, mesmo após o fechamento da Imagem Eventos”.
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É dito ainda que no dia 30 de janeiro de 2025, véspera do encerramento das atividades da empresa, Marcos Vinicius compareceu de forma inesperada à sede da Imagem, e supostamente por determinação de Eliza, retirou todos os 23 cartões de memória da empresa, nos quais estavam armazenados os registros fotográficos e videográficos das formaturas contratadas.
As fotografias são um ponto determinante da atuação do grupo, pois pouco antes do fechamento da empresa, a gestão teria determinado que fossem promovidas diversas promoções para intensificar os lucros, especialmente de conteúdo fotográfico. Outra empresa, a Graduar Decoração e Fotografia LTDA., de propriedade de Eliza, operava no mesmo endereço da Imagem, atuando ambas de forma unificada.
Conforme relatos, Márcio e Eliza teriam convocado uma reunião, anunciando uma campanha promocional para antecipação das parcelas de fevereiro e março para os formandos adimplentes, oferecendo descontos entre 10% e 15%. Durante essa reunião, Eliza teria demonstrado preocupação quanto à possibilidade de os clientes desconfiarem da medida, ao que Márcio respondeu que não importava a reação dos formandos e que a equipe deveria seguir com a campanha de antecipação
A promoção teve como prazo final 30 de janeiro de 2025, um dia antes do encerramento oficial das atividades da empresa, e foi aderida por muitos formandos atraídos pelos descontos concedidos.
A venda antecipada de álbuns fotográficos era voltada especialmente para turmas de Medicina, como já reportado pelo , um dos cursos mais lucrativos e visados pela empresa . O valor cobrado por esse serviço chegava a R$ 20 mil por estudante e os arquivos fotográficos dos eventos permaneciam sob posse exclusiva da Imagem, motivo pelo qual muitos formandos e familiares que adquiriram os materiais ainda não os receberam.
Eliza seria apontada como a responsável por coordenar a retirada dos cartões de memória da empresa, impedindo que funcionários realizassem backup dos arquivos físicos e em nuvem, o que na visão dos investigadores, demonstra “a intenção de ocultar as provas dos crimes praticados; e, mesmo ciente da situação financeira da empresa, continuava a captar novos clientes, demonstrando seu dolo em causar prejuízo aos formandos”.
Ademais, a investigação revelou que Márcio e Eliza, “agindo em conluio, implementaram estratégias para maximizar os ganhos financeiros da Imagem e Eventos antes de seu fechamento”.
“A investigação policial também evidenciou que os investigados se uniram para obter vantagem ilícita, induzindo clientes e seus familiares a erro, e continuaram a explorar o material fotográfico das vítimas mesmo após o fechamento da Imagem e Eventos, demonstrando a continuidade da conduta criminosa”, cita.

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