Projeto Solo Vivo: Ciência, tecnologia e inovação a serviço do Campo

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Regina Olea

Em um momento histórico em que o Brasil busca soluções sustentáveis para fortalecer a agricultura familiar e combater as disparidades sociais no campo, o Projeto Solo Vivo emerge como um exemplo eloquente do potencial transformador das políticas públicas quando aliadas à ciência, à educação e ao compromisso social.

Idealizado e financiado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o projeto tem como foco a recuperação da fertilidade do solo e o aumento da produtividade em assentamentos rurais do estado de Mato Grosso. Mais do que uma iniciativa técnica, trata-se de uma estratégia de desenvolvimento territorial que beneficia diretamente 696 famílias em 10 assentamentos, com um aporte de R$ 6,8 milhões. “ Ao integrar jovens ao cotidiano da pesquisa e da extensão com impacto social, o Solo Vivo rompe com paradigmas tradicionais de ensino e consolida a produção dialógica de saberes — entre escola, território e comunidade”

O papel de destaque na execução do Solo Vivo cabe ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), instituição que, por sua capilaridade e vocação para a formação cidadã, demonstra, mais uma vez, sua capacidade de articular educação profissional de qualidade com as demandas concretas da sociedade. Com base em sua missão político-pedagógica, o IFMT reafirma, neste projeto, os princípios da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o respeito ao saber local e a promoção do desenvolvimento sustentável.

A operacionalização do projeto envolve a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do IFMT (FUNADIF), responsável pela gestão administrativa e financeira, garantindo transparência e eficiência na aplicação dos recursos públicos. Por sua vez, a execução técnica está a cargo de uma equipe multidisciplinar formada por servidores e estudantes do IFMT, que realizam desde a coleta e análise de amostras de solo até a elaboração de laudos técnicos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras.

Dentre essas soluções, destaca-se o SolIF — um software de diagnóstico e recomendação agrícola que nasce da pesquisa aplicada e da inovação tecnológica. Desenvolvido inicialmente por meio de um edital de iniciação científica e posteriormente aprimorado com recursos voltados à maturidade tecnológica, o SolIF é um exemplo concreto de como a educação pública federal transforma conhecimento em benefício direto para a sociedade.

O envolvimento de 43 estudantes, sendo 22 deles de cursos técnicos integrados ao ensino médio, evidencia o compromisso do IFMT com a formação integral, crítica e emancipada de seus discentes. Ao integrar jovens ao cotidiano da pesquisa e da extensão com impacto social, o Solo Vivo rompe com paradigmas tradicionais de ensino e consolida a produção dialógica de saberes — entre escola, território e comunidade.

Nesse contexto, é preciso reconhecer que o Projeto Solo Vivo não é apenas uma ação de extensão tecnológica. Ele representa a materialização dos pilares que sustentam os Institutos Federais: a articulação entre teoria e prática, o compromisso com os arranjos produtivos locais e a defesa de uma educação que emancipa, transforma e gera pertencimento.

Num país marcado por contrastes e desafios estruturais, iniciativas como essa revelam a potência das parcerias interinstitucionais e das instituições públicas de ensino como agentes de inovação social e de justiça territorial. O campo brasileiro precisa de solo fértil — não apenas no sentido agrícola, mas também simbólico. E esse solo se aduba com ciência, educação, tecnologia, inovação e, sobretudo, com compromisso com a vida.

Regina Olea é pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação do IFMT

Link da Matéria – via RD News

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