
O general cuiabano Júlio Cesar Arruda, que comandou o Exército Brasileiro por aproximadamente 30 dias, afirmou que dividiu com membros do governo do Lula (PT) a decisão de não permitir a prisão imediata de quem estava no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, logo após os ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Júlio César é uma das 81 testemunhas arroladas por acusação e defesa, na ação penal da trama golpista que tem o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) entre os réus.
O general foi questionado pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes, relator do caso, sobre ter supostamente impedido o cumprimento da ordem de prisão no acampamento. Moraes mencionou depoimento de Fábio Augusto Vieira, que à época era comandante da Polícia Militar do DF. Segundo ele, ao chegar para cumprir a ordem, foi proibido por Arruda de retirar os acampados que, com dedo em riste, teria dito: “O senhor sabe que minha tropa é um pouco maior que a sua, né?”.
O general cuiabano declarou que já respondeu essa questão a Polícia Federal e manteve a versão. “Ali estava um clima de nervosismo, o senhor sabe disso, o senhor sabe bem disso, e minha função era acalmar. Então, eu falei ‘isso aí tem que ser feito de maneira coordenada. Vamos fazer isso aí de forma coordenada’, disse o general, conforme reportagem do G1.
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Ainda segundo ele, tema foi debatido com o então ministro da Justiça Flávio Dino [hoje ministro do STF], além dos ministros da Casa Civil e da Defesa Rui Costa e José Múcio, respectivamente.
“E foi feito de maneira coordenada, como eu disse, de acordo com o ministro da Justiça na época, o ministro Flávio Dino, o ministro Rui Costa e o Ministro José Múcio, eu e o coronel Ruta. Foi decidido ali o que fazer. Então a minha função ali foi acalmar, porque até então e graças a Deus não teve nenhuma morte”. Em vários momentos, especialmente em questões polêmicas, o general Júlio Cesar não se lembrar dos fatos.
Sobre a suposta negativa, ele garantiu: “Eu não neguei [ingresso da polícia]. Nessa noite, quando começou a acontecer aquilo tudo, eu fui pro QG às duas da tarde. Fui coordenar as ações”, afirmou.
Arruda foi ouvido como testemunha de defesa do tenente-coronel Mauro Cid e de Jair Bolsonaro na ação penal que apura um golpe de estado para manter o ex-presidente no poder de forma ilegal.
Júlio César Arruda deixou o comando-geral do Exército em 21 de janeiro de 2023, após entrar em conflito com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. O oficial se negou a revogar a nomeação de Mauro Cid para comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos, em Goiânia, considerado unidade de elite do Exército. (Com informações do G1)
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