
A primeira-dama de Cuiabá e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal, Samantha Íris (PL), sugere que mulheres que têm o instinto materno aflorado, que busquem adotar crianças de verdade, que precisam ser cuidadas. Neste caso, se refere à onda dos bebês reborn.
“Porque criança de verdade não é daquele jeito. Se a pessoa tem o instinto materno, como imaginam que tenha ali [ao adotar bebê reborn] para se aflorar de alguma forma, cuide de uma criança. Tem muita criança precisando ser cuidada”, ressalta Samantha, numa referência à possibilidade de menores em vulnerabilidade que aguardam por uma adoção.
Reprodução
Samantha cometou o projeto do correligionário do PL Rafael Ranalli, que quer proibir o atendimento médico-hospitalar a “bebê reborn”, bonecos hiper-realistas de recém-nascidos, nas unidades de saúde do município. A proposta foi apresentada em meio à uma “febre nacional” em relação aos bebês realistas.
Nesta semana, uma jovem, de 25 anos , levou um bebê reborn para receber atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento de Guanambi, no centro-sul baiano. A mulher não foi atendida. Diante da situação, já há no Congresso, inclusive, projetos similares ao de Ranalli para “regular” políticas públicas relacionadas aos bebês “reborn” e proibir atendimento em unidades de saúde públicas privadas e acesso a filas preferenciais.
A presidente da CCJ ressalta que matéria ainda não chegou em sua comissão para que seja apreciada a sua legalidade. “Eu, particularmente, acho que esse assunto é um tema muito pequeno. Eu acho que a relevância não é tão importante quanto a ressonância, mas acredito que exista uma parcela do público que espera esse tipo de ações [proposta de Ranalli]. O Parlamento é isso, são 27 cadeiras, cada um tem as suas defesas”, opina.
Apesar disso, Samantha ressalta que, de certa forma, concorda com a tese do colega de partido por saber que a estrutura da cidade já está sobrecarregada atendendo quem realmente precisa. “Então, não faz sentido a gente receber pessoas cuidando de boneca. Tem outras prioridades de saúde e educação. Mas, não é uma discussão que eu entrei porque eu realmente acho que cada um tem a sua atribuição e suas defesas”, desconversa.
Projeto
Caso projeto de Ranalli seja aprovado, será proibido o atendimento, triagem, registro, encaminhamento ou qualquer forma de acolhimento médico-hospitalar as bonecas ou qualquer outro tipo de objeto em unidades de saúde.
Em caso de descumprimento, inicialmente, a unidade poderá ser advertida, mas em for reincidente no atendimento, deverá ser multada em R$ 10 mil. Além disso, é passível de representação ao Conselho Regional de Medicina e demais conselho, se constatada a participação de médicos, enfermeiros ou outros profissionais.
Proposta também prevê que pais e mães de “bonecos” poderão ser encaminhados para avaliação e eventual acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
“Destaca-se que a presente proposição não tem o intuito de ridicularizar ou marginalizar quem possui bonecas reborn, mas sim estabelecer limites objetivos no uso dos serviços públicos de saúde, garantindo que sua utilização permaneça voltada à proteção da vida e à promoção da saúde de seres humanos”, diz o parlamentar, em trecho do projeto, que seguirá o rito de tramitação no Legislativo.
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