MT tem mais de 1,5 mil casos de AVC em 2024; calor pode ser vilão, diz especialista

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Mais de 1,5 mil pessoas sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) em Mato Grosso, somente este ano. Deste número, 876 das vítimas são homens. Já em 2023 foram 2,3 mil caso, sendo 1,3 das vítimas foram homens. Esta doença conhecida por ser “silenciosa” tem aumentado nos últimos anos, devido às mudanças climáticas, pois o calor intenso e a poluição no ar impactam diretamente a saúde humana. 

Ao o médico cardiologista e representante do Departamento de Hipertensão Arterial (DHA) em Mato Grosso, Fábio Argenta, disse que existem dois tipos de AVCs, sendo eles o hemorrágico, que é um  rompimento de um vaso cerebral. E o isquêmico que ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio. O médico disse ainda que existem diversos fatores de riscos que podem aumentar a probabilidade de se ter um AVC, dentre eles o sedentarismo, má alimentação, uso excessivo de álcool, tabagismo e diversas outras razões. Porém, o maior indicador é a hipertensão, ou seja, a pressão alta. 

“A principal causa de AVC é a Hipertensão Arterial. A Hipertensão danifica os vasos sanguíneos, aumentando o risco de formação de coágulos (AVC Isquêmico) ou de rompimento de vasos (AVC Hemorrágico)”, apontou o cardiologista. 

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Cardiologista e representante do Departamento de Hipertensão Arterial em MT, Fábio Argenta: pressão alta é vilã

Argenta destacou que estudos recentes mostraram que exposição a temperaturas extremamente altas pode aumentar o risco de AVC, devido ao risco de coágulos sanguíneos causados pela desidratação.

“A desidratação engrossa o sangue e aumenta o risco de formação de coágulos, favorecendo o AVC Isquêmico. Assim, calor extremo pode aumentar o risco de AVC especialmente em pessoas vulneráveis, como idosos ou aquelas com problemas de saúde pré-existentes”, explicou o cardiologista.

Outro ponto a ser destacado é quanto à poluição do ar que, segundo o especialista, tem apresentado níveis semelhantes ao do tabagismo em ocorrências de AVCs, devido a essa maior exposição ao “material particulado”, que tratam-se de partículas sólidas e líquidas, suspensas no ar, que formam um conjunto de poluentes podendo impactar a saúde. 

“Para se proteger das fumaças, especialmente em períodos de queimadas ou alta poluição, é importante tomar algumas medidas de prevenção, principalmente indivíduos de grupos vulneráveis (crianças, idosos, cardiopatas e pessoas com problemas respiratórios) como usar máscaras, manter-se hidratado, melhorar a qualidade do ar dentro de casa e evitar exposição desnecessária ao Sol”, aconselhou.

Quanto ao fato da doença afetar mais os homens isso se dá, pois os fatores de risco como hipertensão e colesterol são mais comuns na população masculina. Para tanto, o Ministério da Saúde afirma que é necessário cuidar da saúde adequadamente, ter um acompanhamento médico regular e ficar atento aos principais sintomas, sendo eles:

– fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;

– confusão mental;

– alteração da fala ou compreensão;

– alteração na visão (em um ou ambos os olhos);

– alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;

– dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente. 

Relatos de uma sobrevivente

A ex-reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Myrian Thereza de Moura Serra, sofreu um AVC hemorrágico no ano de 2016, durante a abertura de uma apresentação do Coral da instituição. Ao Myrian destacou que, à época, tinha uma vida profissional muito intensa, cheia de estresse. Além disso, afirmou que estava sedentária e tinha uma alimentação pouco saudável, “com muita gordura, sal e industrializados”.  Rodinei Crescêncio

Ex-reitora da UFMT Myrian Serra sofreu um AVC hemorrágico em 20216 durante discurso em evento da Universidade e foi socorrida de forma imediata

Ela disse ainda que ficou internada no hospital por três meses, sendo o primeiro em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Questionada sobre possíveis sintomas apresentados ao longo do dia em que sofreu o AVC, Myriam disse que “não sentiu nada”.

“No dia não senti nada. Mas uma semana antes, senti muito cansaço, inchaço e dor nas pernas. Cheguei a ir ao Pronto Atendimento de um hospital, mas verificaram só a circulação nas pernas e me liberaram. Também tive muita dor de cabeça que melhorava quando eu tomava analgésico. Isso mascarou o AVC que é silencioso e estava a caminho”, relembrou a ex-reitora.

Myriam disse à reportagem que não teve nenhuma sequela ou limitações, por diversos motivos, dentre eles o privilégio de ter sido atendida por um médico socorrista que estava presente no evento, como convidado, e que identificou que se tratava de um AVC, além do fato de que ela possui plano de saúde particular, o que, a maioria das vítimas dessa e de outras doenças não possuem. 

“Primeiro, preciso reconhecer que tive o AVC enquanto autoridade, no palco, em frente de um médico socorrista e com um plano de saúde para dar andamento ao atendimento necessário.  Muitas pessoas têm um tipo de AVC que é percebido somente quando a família vê os sinais de paralisia facial ou de braços e pernas. Outros dão entrada em Pronto atendimento que demora no diagnóstico do AVC”, disse Myriam. 

Quanto ao aumento de casos e a relação das ocorrências devido às mudanças climáticas, Myriam disse que a população tem enfrentado uma rotina muito corrida, o que leva ao estresse e, consequentemente, resulta em uma má alimentação. Entretanto, a ex-reitora afirmou que o Poder Público precisa, urgentemente, de políticas públicas que discutam e proponham medidas de recuperação do meio ambiente.

“A população atual tem uma vida muito corrida e se alimenta muito mal. Fazer sua própria comida é libertador, pois te obriga a conhecer melhor os alimentos e como prepará-los. É um tempo precioso que precisamos ter conosco. O estresse e a obesidade são aliados poderosos para aumentar a pressão e daí as doenças cardiovasculares. O calor excessivo piora esse quadro e aumenta os casos de AVC. Precisamos de políticas públicas que discutam e proponham medidas urgentes para a recuperação do ambiente e de todos nós. O que posso recomendar é que cada um procure a sua válvula de escape como o lazer, além de atividade física e alimentação saudável, sempre com acompanhamento de especialista”, relatou. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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