O show que quase virou tragédia: O Brasil diante da ameaça do ódio

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Rodinei Crescêncio

No último fim de semana, milhões de brasileiros celebraram um momento histórico na Praia de Copacabana: o mega show de Lady Gaga reuniu mais de dois milhões de pessoas em um espetáculo que misturou arte, emoção e diversidade. O que poucos sabiam, no entanto, era que o evento esteve por um triz de se transformar em tragédia. A prisão de dois suspeitos, supostamente ligados a grupos extremistas, dias antes do show evitou um atentado que, segundo a Polícia Federal, poderia ter causado uma das maiores catástrofes em solo brasileiro nos últimos anos. “ A tentativa de atentado contra um show que celebrava a liberdade e o amor é um sintoma de uma sociedade em conflito consigo mesma”

O plano, de acordo com as investigações, era motivado por ódio a crianças, à comunidade LGBTQIA+ e a artistas como a própria Lady Gaga, cuja carreira é marcada por uma postura firme em defesa da diversidade e dos direitos humanos. Essa tentativa frustrada levanta questões urgentes que vão muito além da segurança pública: até que ponto o Brasil está preparado para lidar com a radicalização do discurso de ódio?

O episódio revela o quanto o extremismo, muitas vezes tratado como um problema distante, exclusivo de outras partes do mundo, se enraíza silenciosamente no território nacional. Alimentado por bolhas digitais, desinformação e uma retórica cada vez mais agressiva contra minorias, esse tipo de violência simbólica começa a ganhar contornos reais. A radicalização no Brasil já não é apenas política ou ideológica, é uma radicalização contra a vida em sua pluralidade.

Não se trata de criminalizar pensamentos divergentes ou opiniões conservadoras. Trata-se de reconhecer que o ódio, quando legitimado e incentivado, torna-se uma arma. E que a linha entre o discurso e a ação pode ser tênue. A tentativa de atentado contra um show que celebrava a liberdade e o amor é um sintoma de uma sociedade em conflito consigo mesma.

Por outro lado, a resposta institucional rápida e eficaz da polícia também merece ser destacada. Mostrou-se possível, sim, prevenir o pior. Mas é preciso ir além da repressão pontual. Educação crítica, regulação de redes sociais, fortalecimento da cultura da paz e promoção de espaços de diálogo são partes fundamentais da equação. O combate ao extremismo começa na escola, na internet, na política e nas pequenas atitudes cotidianas.

Lady Gaga sempre afirmou que seus shows são espaços seguros para quem se sente fora do padrão. No Brasil de 2025, essa promessa quase foi rompida. Mas, ao resistir, o evento também demonstrou a força da arte e da coletividade como instrumentos contra a intolerância. Que este susto sirva de alerta, e de compromisso, para que o país jamais naturalize o ódio como parte do espetáculo.

Escrito com Sara Nadur Ribeiro

Mauricio Munhoz Ferraz é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia

Link da Matéria – via RD News

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