Empresários sacaram mais de R$ 10 milhões em espécie, diz relatório da PJC

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Empresário Alessandro do Nascimento, um dos alvos da Operação Suzerano, desencadeada pela Polícia Civil de MT; relatório do Nipo mostra detalhes

Movimentações bancárias e saques “suspeitos” em espécie no valor de mais de R$ 10,4 milhões foram apontados como supostos indícios da participação do empresário Alessandro do Nascimento , diversas empresas e supostos sócios, no possível esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares, por meio de superfaturamento de kits agrícolas destinados à Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf). Além de Alessandro, o ex-secretário da Seaf Luluca Ribeiro também está entre os alvo da Operação Suzerano, desencadeada pela Polícia Civil, nesta semana.

Alessandro é suspeito de ser um dos articuladores do suposto esquema utilizando as empresas Tupã Comércio e Representações e Ribeiro Comércio e Serviços para supostamente “mascarar” o dano ao erário das emendas que foram executadas em convênio pelo Instituto de Natureza e Turismo (Pronatur). As informações são do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) e constam em decisão judicial que o teve acesso. 

O Relatório Técnico do Nipo apontou que foram realizados saques suspeitos em espécie na empresa Ribeiro Comércio entre 2023 e 2024, que somaram o montante de R$ 1,1 milhão. Já no período de abril de 2022 a junho de 2024 os saques totalizaram R$ 4,4 milhões que, coincidentemente, foram realizados logo após o recebimento do recurso do Pronatur. 

“Dos saques realizados pela pessoa jurídica Alessandro do Nascimento – ME (empresa Tubarão Empreendimentos) foi possível identificar três responsáveis: Diego Ribeiro de Souza, Vlasviane Cleide Sacomani Araldi e Luis Antonio Santos Neves, sendo que Diego consta como sócio ativo da pessoa jurídica Alessandro do Nascimento – ME, bem como das empresas Ribeiro Comércio e Serviços, além de já ter integrado o quadro societário da KSH Comércio, todas ligadas a Alessandro”, diz trecho do relatório técnico.

Ainda de acordo com o Nipo, Diego Ribeiro supostamente “foi beneficiado diretamente com o desvio dos recursos, também envolvidos nas quantias substanciais de saque em espécie dos valores distribuídos entre as empresas ligadas a Alessandro”. 

Constatou-se também que, somente em 2024, foram realizados saques da conta da empresa Frontline Distribuidora, que totalizaram a quantia de R$ 743,7 mil, sendo que a Frontline recebeu o montante de R$ 3,1 milhões da empresa Tupã Comércio no período de  maio a  junho de 2024, além de ter realizado saques no correspondente a 24% do valor recebido, no mesmo período. A Frontline não foi alvo da operação Suzerano, mas consta como uma das investigadas no caso.

“Destacou-se, ainda, que também foram identificados saques em espécie na empresa Ribeiro Comércio e Serviços, do ano de 2023 a 2024, de R$ 1,1 milhão, bem como que a empresa Frontline enviou recursos para a empresa Alessandro do Nascimento – ME e que a empresa Tupã Comércio enviou o total de R$ 6,7 milhões para a Ribeiro Comércio e Serviços no mesmo período em que ocorreram os saques da conta”, apontou o relatório. 

Outro ponto elencado no relatório é que, embora não tenha sido possível identificar vínculo de Alessandro com a empresa Frontline, foi verificado que a empresa supostamente teria recebido valores da Tupã, que foram repassados a Alessandro do Nascimento – ME (Tubarão Empreendimentos) e para seu sócio, Diego Ribeiro.

Empresário “no centro de recebimento de recursos”

Conforme consta nos autos, durante as investigações, o Nipo buscou encontrar o vínculo entre Alessandro e a Tupã Comércio. Segundo o relatório, Alessandro é apontado como o responsável pelo registro do domínio do sítio eletrônico da empresa (tupaferramentas.com.br). Além disso, o Nipo aponta que Alessandro seria o procurador constituído da Tupã, com amplos poderes para administrar a empresa. Investigação destaca que somente Alessandro é quem pode substabelecer tais poderes a quem quer que seja.

Diante dessas informações, o Nipo suspeita que o empresário está  “no centro do recebimento de recursos oriundos dos termos de fomento firmados entre o Pronatur e a Seaf”, visto que é o proprietário da empresa Tupã Comércio, que supostamente forneceu todos os kits de ferramentas constantes nos Termos de Fomento firmados entre a pasta e o instituto.

“Verificou-se que, só no período de 10/01/2024 a 12/06/2024 (seis meses aproximadamente) a empresa Tupã enviou para a empresa Alessandro do Nascimento – ME (Tubarão Empreendimentos) R$ 2.314.145,00, sendo os valores sacados tão logo recebidos do referido Instituto [Pronatur]”, diz o relatório.

Ainda de acordo com o Nipo, foram analisadas as redes sociais de Alessandro e de sua filha Ana Caroline Ormond do Nascimento, outro alvo da operação, onde constatou-se que a família possui uma vida luxuosa com viagens internacionais. Além disso, foi verificado um forte indício de vínculo de amizade entre Wilker Weslley Arruda Silva, então diretor-presidente do Pronatur, com Alessandro e sua esposa. Reprodução/Instagram

Ana Caroline Ormond do Nascimento, durante viagem à Disney

Ana Caroline é uma influencer digital que, segundo o Nipo, é suspeita de fornecer seus dados bancários a Alessandro e dar poder para que o pai gerisse as contas e os bens móveis e imóveis no nome dela. Além disso, Ana seria proprietária da empresa KSH (Tubarão) que, no entanto, é administrada por seu pai. “Grande monta de valores foram movimentados nas suas contas bancárias, conforme Relatório de Inteligência Financeira”. Reprodução

Wilker Weslley, então diretor-presidente do Pronatur

As investigações apontam ainda que Ana Caroline, 22 anos, possui um patrimônio de R$ 5 milhões, tendo três veículos e oito imóveis, “bem como a existência de duas procurações públicas, que concederam amplos, gerais e ilimitados poderes por Ana a seu genitor, Alessandro, para tratar de todo e qualquer assunto, negócios, direitos e interesses da outorgante, inclusive contas bancárias, imóveis, cartões de crédito e afins, havendo menção expressa à administração dos imóveis apontados como integrantes do suposto patrimônio de Ana Caroline”.

Consta, ainda do Relatório Técnico que Wilker Weslley, além de possuir vínculo com Alessandro e sua esposa, também é proprietário da empresa GH Borges Serviços e Negócios Imobiliários Ltda (Gold Planning Investimentos), ao lado de H.C.A.B., sendo que houveram depósitos em espécie na conta de H.C.A.B. no montante de R$ 437,4 mil em saques em espécie.

“As movimentações financeiras identificadas pelo COAF no Relatório de Inteligência Financeira n.º 110151.131.13126.15794, acabam por revelar outras pessoas com as quais os principais envolvidos na investigação relacionaram-se e, consequentemente, podem ter algum envolvimento com os fatos investigados, sendo que o Pronatur enviou vultosos valores para a empresa Tupã Comércio e para Alessandro do Nascimento, que, por sua vez, transacionam com outras empresas também ligadas ao próprio investigado, constatando-se que o ‘caminho que o dinheiro percorre’, ao ser recebido pelo Pronatur, possui sempre como destinatário final a pessoa de Alessandro do Nascimento”, diz o relatório do Nipo.

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