
TJ/MT
O Pleno do Tribunal de Justiça condecorou a desembargadora Maria Aparecida Ribeiro com a medalha da Ordem do Mérito Judiciário Desembargador José de Mesquita em sessão realizada nesta quinta (24). Maria Aparecida, que encerra na segunda (28) o mandato à frente do TRE-MT, se aposenta no próximo dia 8, quando completará 75 anos – idade máxima para a aposentadoria compulsória no serviço público.
“Que esta honraria seja um símbolo da nossa profunda gratidão e reconhecimento pelo legado que Vossa Excelência deixa ao Judiciário e à sociedade mato-grossense”, disse o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, ao outorgar a medalha.
Durante o pronunciamento de despedida, Zuquim ressaltou a trajetória conjunta e marcante da desembargadora na magistratura mato-grossense, desde o ingresso em 1985 até a ascensão ao TJMT em 2012.
“Ingressamos juntos na magistratura, tomamos posse lado a lado e desde então, trilhamos caminhos paralelos, por vezes convergentes, mas sempre movidos pelo mesmo ideal de servir à Justiça com dignidade, coragem e empatia. Nossa história de caminhada conjunta não parou por aí. Em 2012, tivemos a honra de ascender, também juntos, ao mais elevado posto da magistratura estadual, ao cargo de desembargadores”, disse o presidente. TJ/MT
Desembargadora Maria Aparecida Ribeiro é homenageada durante sessão no Pleno do TJ
Para ele, o ingresso e a ascensão conjunta são um duplo marco e conferem à despedida um significado ainda mais profundo e tocante. Ele destacou que, com sua visão transformadora, a magistrada participou da digitalização de processos e modernizou o Judiciário, tornando-o mais acessível. Sua atuação firme e humana, inclusive como presidente do TRE-MT, lhe rendeu a Medalha do Mérito Eleitoral.
Outros membros do Tribunal Pleno fizeram questão de expressar sua admiração pela desembargadora, relembrando momentos marcantes de sua carreira e enaltecendo suas qualidades profissionais e humanas. A unanimidade no reconhecimento da sua importância para o Poder Judiciário enfatizou o respeito e o carinho que Maria Aparecida Ribeiro conquistou ao longo dos anos.
A desembargadora Clarice Claudino da Silva se emocionou ao ressaltar a dedicação multifacetada da colega, “não apenas como magistrada exemplar, mas também como mulher, esposa, mãe e avó”. Clarice a descreveu como um exemplo e enfatizou a necessidade de se trabalhar para que as futuras gerações de mulheres magistradas não enfrentem as mesmas sobrecargas sentidas por sua geração.
Marcos Machado, por sua vez, descreveu a magistrada como uma pessoa extremamente resolutiva em todas as suas ações. “O grande valor que Maria Aparecida deixa para o colegiado é a postura, a confiabilidade. Todos nós a temos como exemplo, mas vai faltar uma peça na engrenagem. Espero que quem a suceda tenha esse perfil, essas virtudes e possa engrandecer o Tribunal, porque temos recebido grandes valores, magistrados, promotores e advogados ao longo dos anos, mas sinto muito essa despedida, porque ela está vendendo saúde”, afirmou o desembargador Marcos Machado.
Com a presença de seus familiares, em um discurso emocionado, a desembargadora Maria Aparecida Ribeiro refletiu sobre seus 40 anos dedicados à magistratura mato-grossense, marcados por uma trajetória intensa e significativa.
“A vida pública nos ensina que tudo tem seu tempo e agora é tempo de encerrar esse ciclo tão significativo da minha existência, despedindo-me da magistratura estadual com serenidade, orgulho e um coração profundamente tocado pelas homenagens tão generosas e afetuosas que recebi nos últimos dias”, falou a desembargadora, dizendo que é com um misto de alegria e saudade que se desvincula não apenas de cargos em que ocupou, mas de uma rotina “que fez parte da minha alma e que moldou quem eu sou”.
A desembargadora compartilhou os desafios enfrentados como mulher, mãe e esposa, reconhecendo a necessidade constante de conciliação e resistência entre a vida pública e familiar. Ela mencionou com orgulho a trajetória séria e honesta de seus três filhos, mesmo diante das demandas de sua carreira.
“A cada etapa, eu procurei exercer meu ofício com responsabilidade, ética, firmeza, empatia e amor pela Justiça. Foram muitas as lutas e os desafios, sobretudo por ser mulher, mãe e esposa, e sei que muitas aqui compreenderão quando digo que em tantos momentos foi preciso abrir mão, conciliar e resistir”.
Maria Aparecida Ribeiro
Natural de Santa Vitória, Maria Aparecida formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Uberlândia (MG) em 1975 e ingressou na magistratura de Mato Grosso em 1985, atuando em diversas comarcas como Rondonópolis, Nova Xavantina, Itiquira, Várzea Grande e Cuiabá.
Após 27 anos na magistratura de Primeiro Grau, foi promovida, a desembargadora do TJMT, por merecimento, em 2012. Em sua trajetória, também foi juíza-auxiliar da presidência e da Corregedoria, vice-presidente do TJMT (2021-2022) e corregedora-geral da Justiça (2017-2018).
Presidiu a Comissão de Segurança de Magistrados, atualmente preside a Câmara Temporária de Direito Público e Coletivo e liderou a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) de 2020 a 2024. Possui especialização em Direito Processual Civil e Mestrado em Ciência Ambiental.
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