
O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) Ualid Rabah, que se dedica a viajar pelo Brasil para denunciar o que chama de genocídio perpetrado por Israel contra o povo palestino, esteve na Câmara de Cuiabá nesta quinta-feira (24). Na Tribuna Livre, afirmou que está acontecendo em Gaza a maior matança de civis e extermínio de crianças da história humana, proporcionalmente. Ahmad Jarrah
Presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, jornalista Ualid Rabah, está em Cuiabá para denunciar mazelas da ocupação de Israel em Gaza
“O que informamos na Tribuna é que está acontecendo em Gaza é a maior matança de civis da história humana, proporcionalmente. Só para nós termos uma ideia, quase 3% da demografia de Gaza foi exterminada em 565 dias. Isso equivaleria a 6 milhões e meio no Brasil, equivaleria a 22 milhões na Europa da segunda guerra mundial por sua demografia atual”, explicou Ualid Rabah.
“Nos 6 anos da segunda guerra mundial, neste nível de genocídio que há em Gaza, daria mais de 100 milhões de mortos, ou seja, 30 milhões a mais do que os 70 milhões de mortos naquele conflito”, completou o ativista da causa palestina.
Além disso, Ualid Rabah aproveitou para denunciar o extermínio de crianças e mulheres palestinas. Segundo ele, o objetivo de Israel é promover limpeza ética e avançar na ocupação em Gaza.
“O dado mais escalofriante é o extermínio de crianças na faixa de Gaza. Atualmente, está em 9.946 crianças exterminadas por 1 milhão de habitantes. Durante a segunda guerra mundial, que durou 4, 5 vezes mais tempo que a ofensiva em Gaza, foram 2.813 crianças por1 milhão de habitantes na Europa daquele momento, do período hitleriano. Ou seja, Israel e os Estados Unidos exterminam 3,54 vezes mais crianças palestinas por 1 milhão de habitantes do que o período hitleriano. Portanto, é o maior extermínio de crianças da história humana”, pontuou.
Ualid Rabah também denuncia que Israel está promovendo o maior extermínio de mulheres das guerras e dos genocídios em todos os tempos. Neste sentido, classifica a situação como “matança em escala industrial.
“O que está acontecendo é a eliminação de ventres e de crianças nascidas desses ventres. Israel busca um intento que jamais foi buscado na história humana, colapsar a capacidade reprodutiva da sociedade palestina, programar o seu extermínio e a sua limpeza étnica. Isso quer dizer, esterilizar a sociedade palestina. E isso é tudo nós estamos precisando informar adequadamente para a opinião pública brasileira, para que ela compreenda o nível desse genocídio”, disse.
Para Ualid Rabah, a questão palestina está acima da dualidade entre esquerda e direita. Por isso, o ativista diz que se opor ao genocídio é uma questão de humanidade que une lideranças das mais diversas matizes ideológicas.
“Não à toa o Papa Francisco classificou isso de genocídio. Todos os organismos da ONU e o secretário-geral da ONU António Guterres classificaram isso de genocídio. O presidente Lula classificou de genocídio. Uma infinidade de lideranças no mundo de todos as matizes ideológicas classificam de genocídio. O Tribunal Penal Internacional emitiu ordem de prisão contra o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu e seu ex-ministro de guerra, Yoav Galant “, concluiu. Ahmad Jarrah
Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, exibe bandeira da Palestina com vereadores Mário Nadaf, Paula Calil e Doutora Mara
Quem é Ualid Rabah
Ualid Rabah tem 55 anos e é presidente FEPAL. É filho de pai e mãe palestinos que chegaram ao Brasil em 1960 e 1965 respectivamente. Nasceu em Toledo, cidade do interior do Paraná, e viveu em Maringá por 15 anos, onde estudou e foi jornalista por 11 anos. Militou nos movimentos estudantil (universitário) e sindical. Durante oito anos ocupou a cadeira árabe no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (os seis últimos como titular).
Sem Chão
O filme palestino vencedor do Oscar 2025 de Melhor Documentário, “Sem Chão” (No Other Land), chega a Cuiabá em uma sessão especial e gratuita nesta sexta-feira (25), às 19h, no Auditório da Adufmat, na UFMT.
O evento contará ainda com um bate papo com Ualid Rabah sobre a história da Palestina e a ocupação israelense sionista, doutrina política que hoje chegou à sua maior expressão com o genocídio em curso do povo palestino em Gaza.
Com mediação do fotógrafo e jornalista Ahmad Jarrah, a mesa conta com a presença da professora doutora do Departamento de História da UFMT, Ana Maria Marques, e do diretor da Sociedade Beneficente Muçulmana de Cuiabá, Assan Salim.
Sem Chão conta a história das dificuldades que o palestino Basel Adra, um dos co-diretores do filme, enfrenta enquanto documenta a destruição dos vilarejos de Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada.
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