
Autos da Operação Pubblicare apontam que os envolvidos na realização de eventos para lavagem de dinheiro da facção criminosa Comando Vermelho buscaram ajuda do DJ e promotor Netinho Competition, após encontrarem problemas na liberação de uma festa em junho de 2022. Em conversa interceptada entre Elzyo Jardel Xavier Pires e o DJ eles se queixam da atuação de uma promotora de justiça do Ministério Público contra as festas.
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A Operação Pubblicare é um desdobramento da Operação Ragnatela, que mirou um esquema de realização de shows em casas noturnas com recursos do Comando Vermelho, para lavagem de dinheiro.
Na representação policial referente a esta operação consta que na véspera do evento Baile da Carreta Treme-Treme, em junho de 2022, os criminosos foram surpreendidos por uma ação fiscalizatória sobre suposta prática de poluição sonora.
A fiscalização nesse evento foi realizada por agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública e Defesa Civil de Cuiabá (Sorp) que não faziam parte do esquema e, por isso, não foi liberada a licença necessária para a festa. O Ministério Público ainda entrou com uma ação judicial e obteve decisão favorável, impedindo a realização do evento.
Esse fato gerou transtorno e descontentamento entre os integrantes do grupo criminoso, que buscaram reverter a situação através da interferência de agentes políticos. Antes disso, Elzyo Jardel Xavier Pires, que foi servidor da Câmara de Vereadores e atuava como promotor de eventos para a facção, entrou em contato com o DJ Netinho Competition, que já teria lidado com problemas similares.
Na conversa, ele cita a intenção de entrar em contato com o prefeito Emanuel Pinheiro e com os vereadores Marcus Brito Junior e Paulo Henrique, para pressionar o secretário Municipal de Meio Ambiente, Reinaldo Nascimento, a assinar o alvará para liberar o evento. Reprodução
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Também foi interceptada uma conversa entre Elzyo e o vereador Paulo Henrique, em que relata sobre a fiscalização nos equipamentos e que o fiscal estaria querendo apreender a carreta de som por determinação de uma promotora de Justiça. Pires cobra uma ação de Paulo Henrique para impedir a apreensão.
O vereador depois retorna a ligação para Elzyo e informa que seu assessor, o promoter Rodrigo Leal, estava tentando resolver a situação. Disse também que não estava sabendo da fiscalização, caso contrário teria falado com o secretário Benedito Alfredo, adjunto da SORP, “para mandar um fiscal que faz parte do esquema”. Pires, então, informa que Alfredo já estava sabendo da situação e teria se comprometido a enviar um fiscal da “equipe nossa”.
Consta ainda uma conversa entre Elzyo e uma mulher identificada como Sandra, que trabalharia no Sindicato dos Agentes de Regulação e Fiscalização de Cuiabá/MT (SINDARF/MT). Pires diz a ela que no momento da fiscalização ele chegou a xingar e fazer ameaças ao fiscal. A mulher disse que pretendia conversar com o prefeito Emanuel Pinheiro sobre o caso, “para uma eventual punição ao fiscal”.
Eles acabaram obtendo liminar liberando o evento, porém, no dia da festa, às 23h houve nova fiscalização que resultou no encerramento do show e apreensão da carreta. Em uma conversa de Elzyo ele diz que a ação ocorreu por causa daquele fiscal, que inclusive o prefeito teria ligado para este servidor, mas ele não atendeu.

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