
O governador Mauro Mendes (União Brasil) criticou o cacique Raoni, ativista do povo Kayapó, em Mato Grosso, pela falta de coerência em seu discurso de defesa pela liberação de licenças para o asfaltamento da MT-322, que passa pela reserva do Xingu, visando benefício dos indígenas, enquanto rejeita a implantação da Ferrogrão, que vai ligar Sinop ao Porto de Miritituba, no Pará, destravando a escoação agrícola do estado.
Mayke Toscano/Gcom-MT
No mês passado, Raoni chegou a participar de uma comitiva com o governador, rumo ao Ibama, em Brasília, para reforçar o desejo de asfalto até a “beira do rio”. Na tarde de quinta-feira (3), analisando os dois cenários, Mauro foi questionado sobre a dupla postura de Raoni. Para ele, há contradições do cacique mato-grossense: “O Raoni tem que se explicar. Eu gosto dele, é uma liderança indígena que tem muito respeito, tem o nosso respeito, mas está sendo incoerente”.
“Ele já falou várias vezes para mim que quer o asfalto, mas não quer a Ferrogrão. Olha que absurdo. O asfalto para ele é ok, a Ferrogrão para o Mato Grosso, para o agronegócio, para o desenvolvimento da economia, inclusive, para pagar o asfalto que ele está pedindo, isso ele não quer. Incoerência”, emendou.
No ano passado, Mauro havia sinalizado que Raoni poderia estar sendo usado por líderes mundiais para travar a potencialização do agronegócio brasileiro. O cacique solicitou que o presidente da República , Lula (PT), não destravasse a Ferrogrão, repetindo o discurso do presidente da França, Emmanuel Macron . A Ferrogrão está inclusa no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas segue andando em passos lentos. Para o governador, existem pressões externas e de ambientalistas, que resistem ao progresso.
“Acho que o Raoni, com todo o respeito, ele está sendo utilizado por alguns líderes ou por algumas pessoas para ser longa manus daquele interesse que nós sabemos que não é o interesse dos brasileiros”, frisou.
Todo o impasse gira sob uma ação judicial que contesta a legalidade da Lei nº 13.452/2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a construção de 933 km de ferrovia. Atualmente, a lei está suspensa e estudos estão sendo realizados.
Mauro fora da agenda
O presidente Lula visitou Raoni nesta sexta-feira (4), na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, em São José do Xingu, contudo, o governador alega que sequer foi convidado pela cerimonial do Governo Federal. O encontro serviu para discutir questões relacionadas à preservação ambiental e direitos dos povos indígenas. Além da entrega de uma medalha Grã-Cruz da Ordem Nacional ao cacique.
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