
A prisão vereador Paulo Henrique (MDB) foi revogada nesta quarta-feira (25). O parlamentar é um dos alvo da Operação Pubblicare , que investiga o suposto envolvimento do vereador e de outros servidores públicos no esquema de lavagem de dinheiro para a organização criminosa Comando Vermelho, por meio de eventos em casas noturnas de Cuiabá. A decisão é do desembargador Luiz Ferreira da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
“Todavia, mesmo a autoridade acoimada coatora tendo conhecimento do possível envolvimento do paciente com a organização criminosa “Comando Vermelho” desde a primeira fase da deflagração da “Operação Ragnatela”, somente determinou a prisão dele na antevéspera do período proibitivo em razão das eleições municipais, previsto no art. 236, §1º, do Código Eleitoral, na qual o Paulo Henrique é candidato à reeleição para o cargo de Vereador, mesmo as autoridades que atuam na investigação do paciente tendo conhecimento há meses do seu envolvimento nos aludidos crimes”, diz trecho da decisão.
Reprodução
“A prisão do paciente viola o disposto no art. 236, §1º, do Código Eleitoral que prevê a prisão apenas em casos de flagrante delito ou compra de votos, o que não é o caso e, por essa razão, a prisão preventiva deve ser revogada”, apontaram os advogados de defesa do vereador, além disso os juristas citaram que Paulo Henrique tem um filho de 5 anos, no espectro autista, que depende de cuidados.
O desembargador determinou medidas cautelares no intuito de manter a ordem pública pois, “não se pode deixar de ter em mente a gravidade concreta da conduta, supostamente, praticada pelo paciente, levando em consideração que, em tese, se utilizava do seu cargo de Vereador (por ter prestígio e influência) para atuar em conjunto com o Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Ordem Pública e Defesa Civil de Cuiabá (SORP) para fornecer licenças e alvarás necessários para a realização de shows financiados pela organização criminosa Comando Vermelho”.
Veja, abaixo , a lista de cautelares – Fazer uso de monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira;
– Comparecimento obrigatório a todos os atos do processo;
– Proibição de se ausentar da comarca onde reside;
– Não manter contato, seja pessoal ou por qualquer meio de comunicação eletrônica, com qualquer testemunha que venha a ser arrolada no processo, caso haja, bem como com os demais investigados no presente inquérito;
– Proibição de frequentar a Secretaria Municipal de Ordem Pública e Defesa Civil de Cuiabá, bem como quaisquer órgãos da administração pública direta ou indireta do município de Cuiabá;
– Afastamento da função pública de Vereador na Câmara Municipal de Cuiabá/MT;
– Manter sempre atualizado seu endereço nos autos;
A prisão
Conforme consta nos autos da prisão preventiva do parlamentar, assinada pelo juiz João Francisco Campos de Almeida, o vereador é suspeito de ter comprado carros, além de receber dinheiro e realizar transações bancárias com faccionados do Comando Vermelho, por meio de “laranjas”.
Segundo a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Ficco/MT), Paulo Henrique, seria responsável por atuar em benefício do grupo criminoso, na interlocução com os agentes públicos, recebendo benefícios financeiros, em troca de alvarás e liberação de eventos em casas noturnas da Capital.
Foi apontado também que o parlamentar utilizou de funcionários “fantasmas”, na Câmara de Cuiabá, visto que foram encontradas várias fotos, na galeria do celular de Paulo Henrique, de cartões de crédito e débito em nome de diversas pessoas.
“A hipótese investigada adotada pela FICCO/MT, para a utilização dos dados de terceiros para o recebimento de vantagens indevidas, ou ainda para a realização de despesas pessoais de forma não identificável, o que também caracteriza como lavagem de dinheiro”, diz trecho da decisão.
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