Skatista de MT cita fortalecimento de mulheres no skate: “Mais espaço”

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Arte/Rdnews

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, uma das referência do skate em Mato Grosso e no Brasil, Estefania Lima celebrou o avanço do público feminino na modalidade esportiva. Hoje ela cita o fortalecimento da presença feminina no esporte, além do espaço e reconhecimento que o grupo ganhou comparado no passado. Há 23 anos no mundo do skate, Estefania é fundadora do projeto Divas Skateras, que tem por finalidade dar visibilidade e fortalecer a presença de mulheres no skate. Atualmente, a cuiabana presta serviços especializados no segmento em todo o Brasil, além de ser uma vice-presidente da FMTSk e assessora técnica da CBSk.

Em entrevista especial ao , Estefania Lima falou sobre a sua trajetória no skate, citou as dificuldades que o público feminino enfrenta e comentou sobre a sua responsabilidade à frente da modalidade.

Confira, abaixo , os principais pontos da entrevista

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Como foi a sua trajetória no mundo do skate? Como começou e o que te influenciou a praticar a modalidade? 

Comecei a andar de skate há 22 anos, sempre foi por diversão, inspirada pelo que via na TV. No início, não era comum ver muitas mulheres andando, então tive que me inserir em um ambiente predominantemente masculino. Isso me motivou ainda mais a fortalecer a presença feminina no skate.

 Quais são as principais dificuldades que o público feminino enfrenta ao iniciar a prática do skate?

A falta de espaço e representatividade sempre foram grandes desafios. Por muitos anos, marcas e campeonatos não enxergavam as mulheres com o mesmo potencial que os homens, o que limitava oportunidades e até mesmo a inclusão de categorias femininas nos eventos. Quando essas categorias existiam, a premiação geralmente era inferior. Hoje, já avançamos bastante, mas ainda há um longo caminho para garantir equidade no skate.

Como é a visibilidade de vocês mulheres no esporte?

Hoje temos muito mais espaço e reconhecimento do que no passado. O skate feminino cresceu mundialmente, e atletas brasileiras estão entre as melhores do mundo. Mas a visibilidade ainda precisa ser acompanhada de mais investimentos e oportunidades, tanto para atletas quanto para profissionais que trabalham nos bastidores.

Como surgiu a ideia de criar o Divas Skateras? Qual o objetivo do projeto?

O Divas Skateras nasceu há 18 anos com a missão de dar visibilidade e fortalecer o skate feminino. No início, era um grupo no Orkut onde skatistas podiam trocar ideias. Depois, evoluímos para um blog que reunia informações sobre skatistas do Brasil e do mundo. Com o tempo, nos transformamos em uma plataforma que vai além da divulgação, promovendo eventos, criando conteúdos, conectando atletas, profissionais do skate e marcas, e gerando novas oportunidades de trabalho.

Você atualmente presta serviços especializados no segmento em todo o Brasil. Me conta detalhes sobre o seu trabalho?

Além do Divas Skateras, trabalho com produção de eventos e consultoria para marcas que desejam se conectar com o skate feminino. Também sou social media especializada no segmento e atuo como juíza e diretora de provas em competições. Minha missão é ampliar as oportunidades para as mulheres e fortalecer sua presença no cenário do skate. “ O skate cresceu e se tornou olímpico, ajudando a quebrar muitas barreiras” Estefania Lima

Mulher que pratica skate ainda sofre preconceito?

Menos do que antes, mas ainda existe. O skate cresceu e se tornou olímpico, ajudando a quebrar muitas barreiras. Mas ainda há um preconceito enraizado, especialmente quando se trata de mulheres e pessoas LGBTQIAP+. Muitas vezes, a inclusão parece ser apenas por obrigação, e não algo genuíno. Mesmo assim, seguimos firmes, ocupando nosso espaço e mostrando que o skate é para todos e que nosso lugar nele é inegociável.

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Quais são os marcos da sua carreira no esporte?

Ser a primeira mulher skatista atuando como social media responsável pela conta brasileira da Street League Skateboarding (@slsbrasil), ser pelo quarto ano consecutivo curadora do STU Awards (premiação do maior evento de skate da América Latina) junto com outros grandes nomes do skate brasileiro e, mais recentemente, ser contratada pela Confederação Brasileira de Skateboarding como assessora técnica. Nunca foi sorte, sempre foi ‘corre’.

Recentemente você foi selecionada para ser assessora técnica da Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk). Quais as suas funções e o que isso te representa?

Atuar na CBSk é uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um reconhecimento da minha trajetória no skate. Meu papel é contribuir para o desenvolvimento do skate nacional, participando da criação e planejamento de iniciativas que fortaleçam a cena e a própria entidade.

O Divas Skateras está realizando o Vans Divas Meeting, em São Paulo. Como está a preparação para o evento e qual a expectativa?

Estamos organizando cada detalhe para garantir um dia incrível para o skate plural. A expectativa é altíssima! Queremos não só movimentar a cena, mas também criar conexões e, além disso, estamos contratando temporariamente 18 profissionais do skate plural, contribuindo para sua independência financeira. Vai ser histórico!

Todo atleta de alto rendimento precisa de uma boa preparação antes de competir. Como é feita a preparação de um skatista?

Cada skatista tem sua rotina, mas a preparação envolve muito mais do que apenas andar de skate. Condicionamento físico, alimentação, descanso e suporte psicológico são fundamentais para um bom desempenho. “ O skate em Mato Grosso tem crescido muito, e eu tenho o privilégio de vivenciar e também contribuir para essa transformação” Estefania Lima

Como você analisa a estrutura para a prática de skate em Mato Grosso? A modalidade é bem vista? Recebe apoio do poder público? Quais são os pontos positivos e negativos?

O skate em Mato Grosso tem crescido muito, e eu tenho o privilégio de vivenciar e também contribuir para essa transformação. Temos a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer e a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso como grandes aliadas. Todos os feitos importantes que alcançamos por meio da Federação, como a realização de eventos valendo vagas para o Campeonato Brasileiro, foram possíveis com o apoio do poder público. Os pontos positivos são muitas pistas sendo construídas, incluindo a maior da América Latina, o que vai atrair ainda mais holofotes para nossa região, com eventos cada vez maiores, nacionais e, quem sabe, internacionais. Sobre pontos negativos, vejo que o skate core acaba sendo esquecido. O skate core é o skate real, aquele praticado nas ruas, no dia a dia, e infelizmente não recebe o mesmo incentivo que as competições oficiais e homologadas. No entanto, ele é tão essencial quanto, pois é a essência do esporte. Acredito que essa realidade pode ser transformada, e estamos aqui para trabalhar nisso também, dando visibilidade e apoio a todas as vertentes do skate.

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Mato Grosso tem atletas com grande potencial para o futuro?

Com certeza! Temos skatistas que estão evoluindo a passos largos e que têm um grande potencial para chegar longe, desde que recebam o apoio e incentivo necessários para se desenvolverem. Hoje, eles já não precisam sair do nosso Estado para competir por vagas no Campeonato Brasileiro e ainda têm a oportunidade de receber o Bolsa Atleta, algo que, na minha geração, não tivemos. Por isso, vejo com muito entusiasmo grandes nomes do skate representando Mato Grosso e conquistando seu espaço.

Qual conselho ou dica você deixa para quem deseja praticar skate?

O melhor do skate é remar e sentir o vento no rosto, junto das pessoas que ele nos conecta, que chamamos família. O que vem depois é consequência, desde que a gente faça tudo com amor e por amor. O skate transformou a minha vida de uma forma tão profunda que não me imagino existindo sem ser skatista. Além de ser minha profissão, ele me ensinou lições valiosas sobre a vida e sobre quem sou como pessoa. Obrigada, skateboard.

Link da Matéria – via RD News

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