Justiça torna ré por 8 crimes mulher que matou grávida e roubou bebê

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A 14ª Vara Criminal de Cuiabá recebeu a denúncia da 27ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital contra Nataly Helen Martins Pereira. Agora ela é ré e responderá por feminicídio, tentativa de aborto, subtração de recém-nascido, parto suposto, ocultação de cadáver, fraude processual, falsificação de documento particular e uso de documento falso.
 

A denúncia foi protocolada pelo Ministério Público de Mato Grosso duas semanas após o crime e recebida um dia depois, nesta quinta-feira (27), pelo juiz Francisco Ney Gaíva. O magistrado determinou a citação da ré e concedeu prazo de 10 dias para apresentação da defesa.

Leia também – Nataly escolheu Emelly por ser ‘negra, jovem e pobre’, quem julgou ser ‘descartável’, diz MP  

Nataly Pereira é acusada de matar a adolescente Emelly Beatriz Azevedo Sena, 16, que estava grávida de 9 meses, no dia 12 de março deste ano. Conforme o MPMT, “Nataly realizou uma cesárea improvisada na vítima ainda com sinais vitais, sem qualquer anestesia ou procedimento para minimizar a dor, causando-lhe sofrimento físico intenso e desproporcional”, diz trecho da denúncia.
 

Para o promotor de Justiça Rinaldo Segundo, o crime praticado configura feminicídio, pois foi cometido com evidente menosprezo à condição de mulher da vítima.

 

“Nataly tratou Emelly como um mero objeto reprodutor, um ‘recipiente’ para o bebê que desejava, demonstrando total desprezo pela sua integridade corporal e autodeterminação. A conduta de Nataly revela a coisificação do corpo feminino, reduzindo-o à sua função reprodutiva, como evidenciado pelo fato de ter mantido contato com a vítima por meses apenas com o intuito de monitorar o desenvolvimento da sua gestação e, no momento oportuno, apropriar-se violentamente do fruto de seu ventre”, argumentou.

Conforme noticiado na quarta-feira (26) pelo , Nataly teria escolhido Emelly como vítima pelo estereótipo de gênero de “uma mulher grávida jovem, negra e pobre. E, portanto, descartável, sujeita ao seu menosprezo”.

 

“Para Nataly, Emelly era uma mulher que valia menos, cujo desaparecimento não teria repercussão social. Tanto é assim que Nataly justifica a decisão de matar Emelly a partir de dificuldades da vítima, consigo mesma e em seu relacionamento conjugal”, diz trecho da denúncia do MP.

 

Outro fato vem à tona na peça enviada à Décima Quarta Vara Criminal da Comarca de Cuiabá e diz que “após retirar a criança, que nasceu sem sinais vitais, mas foi reanimada pela própria denunciada através de massagem cardíaca”.

 

É destacado ainda que Nataly tinha conhecimentos técnicos em razão de ter cursado parte da faculdade de enfermagem. Por isso sabia que a privação de oxigênio da gestante afetaria diretamente o bem-estar fetal, o que a fez arrancar o bebê do ventre da adolescente ainda viva.

O caso

Emelly saiu de casa no final da manhã de quarta-feira, 12 de março, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisou a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupa na residência de um casal.

 

Durante a noite daquela data, uma mulher apareceu no hospital com um bebê recém-nascido, alegando que era filho dela e que tinha dado à luz em casa.  

 

Após exames, a médica do plantão confirmou que a mulher sequer esteve grávida. Os profissionais observaram que a criança estava limpa e sem sangramento. Além disso, exames ginecológicos e de sangue demonstraram que a mulher não tinha parido recentemente. Ela também não tinha leite para amamentar a bebê.  

 

A trama começou a ser desvendada já na manhã seguinte. Com o corpo encontrado, perícia foi acionada e 4 pessoas foram detidas, entre elas, o casal que chegou no hospital.  

 

No decorrer do dia, a DHPP prendeu em flagrante Nataly Helen Martins Pereira, 25, que atacou Emelly e retirou a filha dela da barriga, depois, enterrou a menina no quintal. Os demais foram liberados, pois houve entendimento de que não participaram do crime.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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