Cidade de São Paulo registra o maior número de mortes de motociciclistas da história em fevereiro

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A cidade de São Paulo teve 31 mortes de motociclistas em fevereiro, maior número para o mês desde 2015, quando a plataforma Infosiga, do Detran, começou a elaborar sua série de dados. A alta reforça uma tendência de piora da violência no trânsito: no ano passado, 484 motociclistas morreram na cidade, um recorde dos últimos dez anos. Incluídos outros meios de transporte, 1.033 pessoas foram mortas no trânsito paulistano em 2024, o ano mais letal desde 2016.

 A escalada foi observada mesmo com a ampliação do programa Faixa Azul, uma bandeira do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em que são delimitados corredores exclusivos para motos em avenidas de fluxo intenso, como a Faria Lima e a Bandeirantes. A cidade já tem 215 quilômetros da Faixa Azul, criada em 2022.

Edilson Dantas / O Globo

A prefeitura afirma que a Faixa Azul deu bons resultados: segundo a gestão municipal, o número de mortes em trechos com corredores caiu 47,2% entre 2023 e 2024. A prefeitura cita ainda iniciativas como as 1.088 “frentes seguras”, áreas exclusivas para motos aguardarem os semáforos, como forma de combater os acidentes fatais.

Motociclistas apontam como causas do aumento das mortes o maior número de entregadores após a pandemia e o uso de celular por motoristas de carros. Para eles, a Faixa Azul ajuda, mas não resolve os conflitos do trânsito.

— Um carro bateu em mim em um cruzamento. A sorte foi que eu estava a 20 km/h. O motorista não me viu porque estava no celular — conta Matheus Salles, que faz entregas há três anos.

As mortes se concentram na periferia. Os bairros com mais casos são da Zona Sul, onde houve 17 dos 62 acidentes fatais dos dois primeiros meses do ano. Em 2024, a região liderou com 40% dos casos. Os distritos com maior incidência foram Grajaú, Jardim São Luís, Capão Redondo e Campo Limpo, todos da Zona Sul.

A via expressa Marginal Pinheiros teve o maior número de acidentes fatais de moto no ano passado, com nove casos. Depois vem a Estrada de Itapecerica, no Capão Redondo, com oito registros.

Os acidentes entraram em debate no início do ano devido à briga entre a prefeitura e aplicativos que buscavam oferecer serviço de mototáxi. A 99 iniciou a operação em janeiro, mas Nunes conseguiu suspender o serviço e chegou a dizer que ele poderia levar a uma “carnificina”.

A Uber entrou na Justiça para liberar os mototáxis. Em 27 de janeiro, o Tribunal de Justiça mandou os apps pararem o serviço. Mas em fevereiro, uma decisão de primeira instância declarou inconstitucional um decreto de Nunes que proibia o mototáxi. Um novo julgamento está marcado para 7 de abril.

(colaboraram Hyndara Freitas e Matheus de Souza)

Link da Matéria – via RD News

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