Secretária diz não ter “vara de condão”, mas trabalha para melhorar Saúde de VG

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Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews

A secretária de Saúde de Várzea Grande, Deisi de Cássia Bocalon Maia, reconhece que a pasta vive momentos difíceis em razão de ter orçamento pequeno frente aos desafios impostos pela área, mas também por causa de dívidas herdadas da gestão Kalil Baracat (MDB), que giram em torno de R$ 54,5 milhões. Ela ressalta não ter uma “vara de condão” para solucionar todos os problemas, mas se mostra otimista e garante que tem colocado a casa em ordem para, aos poucos, melhorar o atendimento à população. Durante visita à sede do , onde concedeu entrevista  especial ao portal, Deisi  também falou sobre ações de expansão da estrutura com a construção, por exemplo, de uma nova maternidade, UPA e unidades de saúde.

Confira, abaixo , os principais trechos:
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A sua pasta é muito visada, polêmica e está sendo alvo de várias fiscalizações nestes embates entre o Executivo e Legislativo. Como encara essa situação?

Eu sou bem tranquila quanto a isso. Eu fui contratada, fui convidada para fazer o trabalho que a gente tem feito. Eu falei que gostaria muito de ter uma “vara de condão” para ir lá e dar uma balançadinha na vara e o Pronto-Socorro ficar do jeito que eu sempre sonhei, ou que a prefeita ou que todo mundo sempre sonhou. Mas, infelizmente, a gente vem aí de uma deterioração muito grande, de recursos financeiros muito limitados, por falta de alguns investimentos e até mesmo por falta de buscar habilitações junto ao Ministério da Saúde. Nós já temos alguns estudos que a gente consegue dobrar o número do aporte financeiro vindo do Ministério da Saúde, se a gente fizer a nossa lição de casa, que é o que nós temos feito. Então, eu estou buscando isso. Eu estou buscando melhorar o aporte financeiro do Governo do Estado e do Governo Federal, para a gente poder desenvolver o que a gente precisa fazer. Só que não vai acontecer da noite para o dia e os problemas virão. Eu vou ter unidade sem medicamento, sim, porque a gente tem problemas com fornecedor, que estava desde abril sem receber. Tinha hemodiálise, desde junho sem receber, tinha serviços de cirurgia pediátrica parando. A gente teve vários enfrentamentos no início e não consegue fazer tudo de forma tão rápida, como se espera. Mas, a gente tem feito o trabalho e tenho certeza que, daqui a três meses, vamos ter um resultado muito melhor na Saúde em Várzea Grande. 

Qual o tamanho da dívida com os fornecedores? 

São R$ 54,5 milhões. Nós estamos renegociando vários contratos, inclusive. Já pagamos muito disso daí. Eu estou em fase de levantamento. Até pedi para a equipe financeira e orçamentária fazer esse balanço do que nós já pagamos e do que nós já conseguimos reduzir de contrato. Tivemos boas reduções de valores em contrato. Os prestadores têm sido parceiros porque estão vendo a intenção que essa gestão tem de honrar com os compromissos. Nós estamos tendo, assim, bastante vinculação e proximidade com alguns fornecedores. E tem outros que a gente não vai conseguir manter porque estavam com um valor bem exacerbado e a gente vai precisar fazer novas licitações para fazer essa mudança, para diminuir custo e aumentar aporte. 

Secretária, o ex-prefeito deixou algo de estrutura para vocês ou encontraram um cenário de terra arrasada?

 Sim, eu sempre comparo muito com Cuiabá, porque eu fiz parte da intervenção. Não posso dizer que tudo estava ruim. Por exemplo, eu tenho muitos medicamentos licitados. A minha dificuldade foi a entrega por falta de pagamento. Mas esses medicamentos estão licitados. A partir do momento que eu comecei a pagar e comecei a conversar com o prestador e mostrar a intenção de honrar os compromissos, eles estão voltando a entregar as medicações. Isso é um ponto muito positivo que Cuiabá não encontrou. Então, eu tenho, sim, pontos positivos. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho demissão em massa de funcionários. E com o Lira (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti) de 2,9% em outubro, eles demitiram os funcionários de atenção primária. Não tinha médico, não tinha enfermeiro, não tinha técnica de enfermagem, não tinha faturista. Sem faturamento, o melhor aporte financeiro do Ministério [da Saúde], o faturamento de dezembro, que é relativo ao mês de novembro, deu R$ 630 mil. Em janeiro, a gente conseguiu recontratar os faturistas. No finalzinho do mês, em 10 dias, nosso faturamento já foi para R$ 1,2 milhão. Agora, no mês de fevereiro, já foi para 1,6 milhão. Os acordos não servem para mostrar ao Ministério da Saúde que eu estou trabalhando e que eu preciso fazer saúde. Eles querem que eu mostre que eu estou gastando o que eles estão me mandando para poder pedir a mais. É isso que a gente tem feito. Então, tem pontos negativos, mas tem esse ponto da medicação, que eu acho que seja positivo. Annie Souza/Rdnews

Secretária de Saúde de Várzea Grande, Deisi de Cássia Bocalon Maia, fala sobre desafios e prospecta melhorias no atendimento à população

E o orçamento da Saúde é o suficiente atender a demanda? 

Infelizmente, é um orçamento bem aquém do que a secretaria precisa. Hoje, o recurso de Vázea Grande, de média e alta complexidade, é R$ 3,7 milhões por mês. Em Primavera do Leste é de R$ 6,9 milhões, que é a metade da população de Várzea Grande. Isso tudo foi por falta de gestões anteriores entenderem a necessidade de provar a comprovação dos serviços realizados em solo várzea-grandensse. A maioria vai para Cuiabá e daí acaba fortalecendo o MAC (Financiamento da Média e Alta Complexidades) de lá, que ganha quase R$ 40 milhões por mês. Nós temos R$ 3,7 milhões. Então, agora a nossa batalha é essa, melhorar o nosso aporte financeiro junto ao Ministério da Saúde. 

Atualmente, Várzea Grande atende toda a sua demanda ou “exporta” pacientes para Cuiabá?

A gente aderiu ao programa do Governo do Estado, chamado “Fila Zero”, que está disponível desde 2021. Ele só mudou de nome, antes era Mais MT Cirurgia. E é um aporte financeiro muito importante para o município. Sem muito esforço, a gente consegue, se eu aderir a esse programa, receber um aporte do Estado. Cada procedimento tem um valor que gira em torno de três a sete tabelas SUS. Hoje em dia, a gente recebe uma tabela SUS do Ministério da Saúde. Para vocês terem uma ideia, uma consulta com um especialista, um neurologista pediátrico, o Ministério da Saúde paga R$ 10. É impossível você contratar um neuropediátrico por R$ 10 a consulta. A SES paga mais R$ 30, paga três vezes. Então, seriam R$ 40. Ainda assim é difícil. A gente recorre ao consórcio. Mas esse daí não paga. Mas eu tenho outros procedimentos que pagam tranquilamente e sobra dinheiro. Uma tomografia, uma ressonância, uma cirurgia de catarata. Eu consigo fazer com que o aporte do Estado seja maior do que eu pago para o prestador. Então, sobra um pouco de recurso para eu investir nesses outros procedimentos que ainda não são valorados. Mas era uma coisa que não tinha, foi aderido, mas nunca foi executado. Então, só de cara, a gente já tem R$ 4,8 milhões aprovados para fazer essas cirurgias. Então, qual é a nossa dificuldade hoje? Nada era feito em Várzea Grande. Por que como eu recebo do Estado? Eu só recebo do Estado se eu provar que esse paciente estava na fila esperando esse procedimento e daí foi chamado, foi aprovado e fez o procedimento. A partir do momento que ele foi aprovado na regulação, eu encaminho essa aprovação para o Estado, junto com o atendimento dele, e o Estado me paga. Eu não tenho como ter “jeitinho”, passar paciente na frente, para o que quer, o [paciente] que alguém pediu ou que o político pediu. Não tenho. Para eu poder receber o recurso do Estado, preciso estar regulado e aprovado. Então, existem essas normas. Eu preciso que a população se conscientize. Só que como isso não era feito lá em Várzea Grande, eles jogavam na fila de Cuiabá. Hoje, nós zeramos a fila de ultrassom morfológico, porque eu não tenho mais ninguém na fila de Várzea Grande. Tudo na fila de Cuiabá. Zeramos a endoscopia, porque eu não tenho mais ninguém na fila de Várzea Grande, estão esperando na fila de Cuiabá. Então, o que nós fizemos? Nós solicitamos a Cuiabá que fizesse um filtro e nos mandasse a fila de Várzea Grande, porque nós vamos atender. Eles vão devolver para nós, porque tem dois mil pacientes esperando a endoscopia na fila de Cuiabá e são de Várzea Grande. Vamos começar a atender os nossos munícipes. As cirurgias ainda não começaram com força total, só para um entrave burocrático porque, como eu não tenho outro hospital filantrópico, que nem é Cuiabá, que tem vários filantrópicos, a gente precisa fazer um contrato com um hospital privado. Existem normativas e está no processo já de avaliação da procuradoria o contrato e, na hora que firmar o contrato com o Hospital Santa Rita, a gente vai começar a executar os procedimentos lá.

Secretária, qual é tamanho da estrutura de Várzea Grande? Quais são os projetos de expansão?

Nós temos 27 unidades de atenção primária, mas cada unidade dessa, às vezes tem três, às vezes tem quatro, às vezes tem duas equipes de saúde da família. São 92 equipes de saúde da família ao todo. E tem duas UPAs – do Cristo Rei e a do Ipase, que é a maior, e uma porte 3. Nós estamos pleiteando agora, junto com o novo PAC, mais unidades básicas de saúde, uma policlínica e um CAPS, que é o que foi aberto. Sobre as UPAs, a gente vai pleitear de alguma maneira, porque a gente precisa para uma outra região muito grande que está crescendo, mas ainda não tem um planejamento para isso. A gente está mais preocupado agora com o planejamento da construção da maternidade. Nós temos um aporte depositado na Caixa Econômica de R$ 50 milhões para a construção dessa maternidade e essa semana termina o nosso prazo para a inserção da cláusula, para cair a cláusula restritiva e poder realizar a licitação desse serviço. Nós estávamos dependendo de análise de solo, de terreno. O primeiro terreno que nós conseguimos era APP [Área de Preservação Permanente], não pôde ser construído. Agora já está em execução. Vai ser lá no Chapéu do Sol, perto do Fórum. Já destinada, definida, já está inserida no sistema da Caixa Econômica. O que estava faltando era a sondagem, que é o que está sendo realizado agora, que é a análise do solo para ver a questão estrutural. Porque como é uma planta do Ministério da Saúde pronta, precisa saber se o solo comporta aquele peso, aquela estrutura toda.

Annie Souza/Rdnews

Esses R$ 50 milhões são suficientes? Ou a Prefeitura vai ter que aportar recurso? 

 A gente vai depender da licitação. Tem R$ 50 milhões de estrutural e R$ 63 milhões de equipamentos. A gente vai fazendo essa análise conforme o tempo. Eu tenho até dia 31 de abril para licitar esse serviço. Essa é uma das preocupações, mas a gente está correndo contra o tempo para poder fazer tudo de acordo com o que está preconizado. A gente quer inaugurar a maternidade nessa gestão, mas depende muito da empresa que pegar, se será uma empresa que tenha suporte mesmo para execução rápida. Mas daí vai a nossa função de fiscalizar, de notificar e de cobrar.

 Se tudo correr bem, entre agosto e setembro já deve começar a obra? 

Esperamos que sim. A gente espera [concluir] em dois anos. Mas, considerando as experiências que a gente tem em obras, a gente sabe que é meio difícil. A gente quer, pelo menos nessa gestão, concluir essa maternidade. 

É um marco importante visto que, historicamente, os várzea-grandes nascem em Cuiabá?

A gente tem uma maternidade que tem 27 leitos, o que é muito insuficiente. Não abarca a necessidade de Várzea Grande. Infelizmente, várias vezes, o Hospital Geral e Santa Helena têm que socorrer os várzea-grandes. Mas, a gente está batalhando para que não haja mais essa necessidade tão grande de Cuiabá.

 Sobre a construção da UPA, tem alguma região definida? 

A gente está buscando uma região central. Ainda não tem. Porque, como é cadastramento de novo PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], a gente definiu um terreno, mas depende ainda da aprovação do Ministério [da Saúde]. Vai ser numa região mais populosa. São Mateus, Paiaguás, por ali, mas ainda está em estudo ainda. Os técnicos estão vendo a questão de viabilidade também, de transporte, de tudo. Também tem muito paciente nosso que vai para o Verdão, por causa da facilidade de acesso à policlínica do Verdão. Então, a gente tenta pensar em algo ali na região para que eles não precisem ir buscar ajuda em Cuiabá, mas permaneçam em Várzea Grande.

Link da Matéria – via RD News

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