
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A fratura do boxer é uma lesão comum nos ossos da mão, mais precisamente na base do quinto metacarpo, que conecta o dedo mínimo ao punho. O nome “fratura do boxer” se refere à alta incidência desse tipo de lesão entre praticantes de boxe e outras modalidades de luta, mas também pode ocorrer em situações cotidianas, como ao dar um soco em uma superfície dura.
Causas
A fratura do boxer geralmente é causada por impacto direto. A mão, ao realizar um soco com má técnica ou sem proteção adequada, absorve o impacto no quinto metacarpo, que é mais vulnerável a fraturas devido à sua anatomia e localização. Além de esportes de combate, essa lesão pode acontecer em:
– Brigas ou agressões físicas
– Acidentes domésticos (como socar uma parede ou móvel)
– Prática de esportes sem técnica adequada
Sintomas
Os sintomas de uma fratura do boxer podem variar de leves a intensos, dependendo da gravidade da lesão. Os sinais mais comuns incluem:
– Dor imediata e intensa na região do quinto metacarpo
– Inchaço e sensibilidade local
– Hematomas na área
– Dificuldade para movimentar o dedo mínimo
– Deformidade visível, com deslocamento do dedo para dentro da mão
– Sensação de estalo ou fricção ao movimentar a mão
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por um exame físico, no qual o médico avalia a movimentação dos dedos e procura sinais de deformidade. Em seguida, uma radiografia é solicitada para confirmar a fratura e determinar o grau de deslocamento dos ossos.
Tratamento
O tratamento da fratura do boxer varia de acordo com a gravidade. Fraturas sem deslocamento significativo podem ser tratadas de forma conservadora, com:
– Imobilização: O uso de uma tala ou gesso por 3 a 6 semanas para estabilizar a fratura enquanto o osso se recupera.
– Medicamentos: Analgésicos e anti-inflamatórios são recomendados para controlar a dor e o inchaço.
Nos casos de fraturas mais graves, onde há um deslocamento importante do osso ou comprometimento da função da mão, pode ser necessário um tratamento cirúrgico. A cirurgia envolve a correção da fratura com pinos ou placas para alinhar os ossos corretamente, promovendo a recuperação da função da mão.
Fisioterapia e Reabilitação
Após a retirada da imobilização ou a recuperação da cirurgia, é comum a indicação de fisioterapia para restaurar a mobilidade, a força e a função da mão. A fisioterapia inclui exercícios de alongamento, fortalecimento muscular e melhora da coordenação motora fina.
Prevenção
Para evitar a fratura do boxer, é essencial adotar algumas medidas de prevenção, especialmente para praticantes de esportes de combate:
– Uso de luvas e bandagens: Protege os ossos da mão durante golpes de alta intensidade.
– Técnica correta: Aprender a realizar socos de maneira adequada, sem forçar o quinto metacarpo.
– Treinamento supervisionado: Trabalhar com instrutores qualificados que ensinem a forma correta de realizar socos e técnicas de autodefesa.
Considerações Finais
A fratura do boxer, embora comum e muitas vezes tratável sem cirurgia, pode causar complicações se não for adequadamente diagnosticada e tratada. O acompanhamento médico é fundamental para evitar deformidades permanentes e perda de função. A recuperação completa pode levar semanas ou meses, mas com o tratamento adequado e reabilitação, a maioria dos pacientes retorna à plena atividade sem limitações.
Se você sofreu uma lesão na mão e suspeita de uma fratura, procure um ortopedista para avaliação.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe

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