Só 30% da população tem esgoto ligado à rede da Capital, estima Águas Cuiabá

Imagem

Rodinei Crescêncio

Cerca de apenas 30% da população tem o esgoto residencial ligado à rede da Capital, estima o presidente da Águas Cuiabá, Leonardo Menna. Dessa forma, o sistema, que era para estar tratando resíduos, está tratando apenas água da chuva. Em entrevista ao , o presidente fala sobre os principais gargalos da rede água e esgoto na Capital, explica detalhes de como funcionará a obra da Prainha e fala sobre a relação da concessionária com o novo prefeito, que tem feito duras críticas e tido uma postura mais combativa. 

Confira, abaixo , os principais trechos da entrevista.

***

Quais são hoje os principais gargalos na distribuição de água e coleta de esgoto hoje na Capital?  

O principal desafio é a questão da conexão da rede de esgoto intradomiciliar, que é o cliente conectar o esgoto à rede já disponível, que é a obrigação da população, com base em lei. Um outro ponto é a questão das áreas irregulares, que acabam prejudicando o abastecimento na área regular da cidade.

Existem regiões onde essas ligações irregulares são preponderantes?

Sim, na região do Contorno Leste, no norte da cidade, há grandes áreas de invasão, que prejudicam muito o abastecimento naquelas localidades e acabam impactando nas outras regiões, porque acabam puxando a água de maneira indevida. Assim, regiões que estão canalizadas, com rede bem projetada, sofrem com o abastecimento em momentos de pico.

Você citou que a ligação intradomiciliar é o principal desafio. Por que ela é necessária?

As estações tratamento que temos hoje na cidade, foram de investimentos de R$ 1,3 bilhão em água e esgoto na cidade, sendo R$ 700 milhões só em esgoto. No entanto, essas estações de tratamento de esgoto (ETEs) instaladas recebem sua vazão, quase na totalidade, com chegada de água de chuva, e não de esgoto. Ou seja, a rede está disponível e estamos gastando dinheiro tratando água de chuva, quando deveria ser uma ligação de esgoto. Cabe ao usuário fazer essa ligação. Hoje viemos trabalhando, buscando formas de fazer essa conexão, como o projeto Interligue Já.

Qual porcentagem da população já está interligada?

Seguindo o volume de esgoto que chega nas nossas unidades na estiagem, sem a contribuição de chuva, a gente tem cerca de 30% da população conectada ao sistema. Não chega nem à metade.

Na Avenida Prainha, será feita uma obra de grande impacto para a vazão da água e acabar com os alagamentos. Como será feito esse tratamento no local, ele já será interligado à rede?  

Na Prainha, como existe ali a necessidade de fazer um coletor-tronco para receber todo o esgoto daqueles bairros, principalmente Araés, naquela região da Prainha vamos fazer uma coleta a tempo seco, autorizada, inclusive, pela agência reguladora. Vamos  usar a rede de drenagem, fazer uma coleta única e levar para tratamento, para a estação de tratamento.

Essas obras já começaram, já fizemos, inclusive, reuniões com a CDL [Câmara de Dirigentes Lojistas] e a Prefeitura de Cuiabá para poder impactar o mínimo possível. Teríamos que “rasgar” a Avenida Prainha e as ruas são muito estreitas ali, é um comércio muito antigo, tem infraestrutura de casa. Então, fazer uma vala profunda e fechar as ruas ali para botar uma rede de esgoto causaria um transtorno absurdo e prejudicaria o comércio local também. Então, chegamos a uma solução diferenciada, que é a coleta em tempo seco para poder utilizar a rede de drenagem para afastar esse esgoto e ele ser tratado na estação de tratamento.

Falando sobre a relação com a prefeitura, com a troca de gestão, o novo prefeito Abilio Brunini tem tido uma postura mais combativa em relação a Águas. Como está essa relação com o Município?

Nossa relação com o prefeito é muito positiva, é construtiva. O prefeito é muito crítico. A história dele mostra isso, que ele é muito crítico. Acho que é o papel dele. E o nosso papel aqui é atender da melhor forma possível. Então, nossa relação é muito boa. Mas existem posições diversas, que a gente nem sempre converge para uma solução única.

Annie Souza

Uma dessas questões é o reajuste tarifário, que Abilio foi se posicionou contra de forma mais crítica. Como vocês veem essa postura?

Eu tive a oportunidade de explicar para ele [Abilio] a questão do reajuste. É uma recomposição da inflação. O reajuste de 4,45%, é menor do que a inflação. Creio que ele entendeu que é uma recomposição inflacionária prevista em contrato. Acontece de maneira regular, todos os anos. Desde 2012, a concessão existe. Já vai para o 13º reajuste, que vem acontecendo regularmente. E isso é uma previsão orçamentária contratual. Não é discricionária, ou seja, não caberia, neste momento, uma validação de um ou de outro. Acho que a gente está caminhando agora para o desfecho positivo.

A concessionária se preocupa com a possível extinção da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá [Arsec], que Abilio pretende?

É um direito que o prefeito tem. A legislação federal define uma regra para a criação da Arsec. É obrigatório ter uma agência reguladora, por uma questão federal, de legislação. O prefeito entendeu, está ajustando o projeto de lei para que atenda essa legislação. E, nesses nove meses que eu estou aqui, eu pude, uma opinião minha, observar que a Arsec é muito técnica, muito séria, mas é uma decisão do prefeito fazer as movimentações, cabe a ele tomar essas decisões. E a concessionária vai estar disposta a atender qualquer forma que o prefeito venha a definir a regulação do contrato, desde que atenda a legislação.

Link da Matéria – via RD News

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*