
“Eu apanhei muito na campanha por causa do VLT. Apanhei igual cachorro de bugre, como se diz aqui em Cuiabá. Porque ‘ah o Pedro Taques não acabou o VLT’ e o candidato Mauro ele falava que ia dar uma solução em 30 dias e já se passaram 2019, 20, 21, 22, 23, 24… 6 anos”, alfinetou o ex-governador Pedro Taques. A declaração foi registrada na quarta-feira (5), data em que a paralisação das obras do Bus Rapid Transit (BRT) completaram um ano. Na sexta-feira (7), o Estado anunciou rompimento do contrato com o Consórcio responsável pelo projeto e deu prazo de 5 meses para que o trecho iniciado seja terminado em Cuiabá.
Em entrevista a TV Vila Real (canal 10.1), Taques relembrou desde o início a escolha entre os modais BRT e VLT, a judicialização em decorrência da demora nas obras e demais imbróglios relacionados ao tema. O transporte é uma promessa para a solução dos desafios de mobilidade urbana de Cuiabá e Várzea Grande que se arrasta desde antes da Copa do Mundo de 2014.
O ex-governador recorda que à época em que o BRT foi escolhido, era considerado o modal “mais compatível com o momento histórico” vivido pela Capital, por volta de 2010. No entanto, foi posteriormente trocado pelo Veículo Leve Sob Trilhos (VLT) em 2011. Sem conclusão, os vagões foram vendidos para a Bahia no ano passado.
“Algumas pessoas de Mato Grosso, autoridades, foram a Portugal conhecer o VLT e trouxeram ele ‘no bolso’. Foram em Brasília, no Ministério das Cidades, e mudaram o modal de BRT para VLT. […] O MPF ajuizou uma ação em Brasília em razão da mudança do modal porque houve uma fraude, documentos foram retirados do processo, uma ação contra servidores do Ministério e autoridades de MT”, relembra.
Eleito senador em 2010 após pedir exoneração do Ministério Público, Taques destaca que trabalhou em função de fiscalizar as obras do modal. “Eu mandava ofícios para o governo, chamei professores da UFMT, Unemat, CREA, fizemos reuniões com o governador Silval Barbosa para fiscalizar as obras do VLT. Quem fosse contra naquele momento era chamado de contra o progresso e desenvolvimento de Mato Grosso”, aponta.
Eleito governador em 2014, Taques apresentou em seu 100º dia de governo um relatório de problemas nas obras do VLT e buscava soluções junto ao consórcio construtor, com aval do MPF e MPE devido à judicialização da obra. Após a Operação Descarrilho, o contrato foi rompido.
Buscando a reeleição, Taques perdeu em 2018 a faixa de governador do Estado para Mauro Mendes, que exerceu mandato de prefeito de Cuiabá de 2013 a 2016. Neste ponto, o ex-gestor é categórico em atribuir o fracasso nas urnas a não conclusão das obras durante a sua gestão.
“Durante o mandato do Mauro, ele começa a estudar a possibilidade de retomar a obra, em 2020, 21 ele entendeu por bem que deveria modificar o modal. Era BRT, passou a ser VLT pelo Silval, eu quis continuar VLT e terminar, mas não teve condições em razão da corrupção. Rompi o contrato, iriam fazer nova licitação para terminar o VLT, eu perdi a eleição pelo VLT”, disse.
Motivo de desgaste para gestões e gestores, atualmente a conclusão das obras é considerada também um desafio para a candidatura do governador para alavancar seu nome ao Senado em 2026.

Faça um comentário