
Rodinei Crescêncio/Rdnews
No dia 8 de março, é comum vermos políticos e instituições enchendo as redes sociais de homenagens às mulheres. Flores, frases inspiradoras e elogios ao “papel da mulher na sociedade” dominam os discursos. Mas será que isso é suficiente?
A comunicação política tem um papel essencial na construção de narrativas que não apenas celebrem, mas também reconheçam desafios e fortaleçam mudanças concretas. E, no Dia Internacional da Mulher, essa responsabilidade se torna ainda mais evidente.
Mais do que discurso, compromisso
O erro mais comum na comunicação política no Dia das Mulheres é a superficialidade. Não basta apenas postar uma frase bonita ou uma foto com uma mulher influente. O público está cada vez mais atento e crítico, e discursos vazios são facilmente identificados.
Se um político realmente deseja engajar e fortalecer sua imagem no dia 8 de março, precisa ir além das palavras. A pergunta que deve ser feita é: O que estou fazendo, de fato, para melhorar a vida das mulheres?
· Existe alguma política pública que você defende ou já aprovou voltada para as mulheres?
· Como a sua atuação impacta áreas como saúde, segurança, mercado de trabalho e representatividade feminina?
· Você ou sua equipe incentivam a participação feminina na política e nos espaços de poder?
A credibilidade vem quando há um compromisso real por trás da comunicação. O eleitorado, especialmente o feminino, quer ver ações concretas, e não apenas gestos simbólicos.
Dados e histórias reais geram conexão
Se há algo que gera impacto na comunicação política, é a combinação de dados e histórias reais.
No Brasil, as mulheres ainda enfrentam desafios como:
· Salários 20% menores que os dos homens, mesmo ocupando funções equivalentes.
· Alta sub-representação política – são mais de 50% da população, mas ocupam apenas 17% das cadeiras no Congresso Nacional.
· A cada 6 horas, uma mulher é vítima de feminicídio no país.
Mas os números sozinhos não bastam. A conexão emocional acontece quando se dá voz a histórias reais. Mostrar o impacto das políticas públicas na vida de mulheres, dar espaço para que lideranças femininas falem e evidenciar conquistas são estratégias que fortalecem uma narrativa de mudança.
Comunicação inclusiva e tom adequado
Outro ponto crucial é como a mensagem é transmitida. A comunicação política no Dia das Mulheres precisa ser feita com um tom respeitoso, inclusivo e livre de estereótipos. Algumas armadilhas comuns que devem ser evitadas:
· Exaltar apenas o papel da mulher como mãe ou cuidadora. Mulheres são profissionais, líderes e donas de suas trajetórias.
· Reduzir o debate a frases genéricas como “mulheres são fortes e guerreiras”. Isso não substitui a discussão sobre direitos e oportunidades.
· Usar um tom paternalista ou reforçar a ideia de que as mulheres precisam de proteção, e não de igualdade.
A melhor abordagem é aquela que empodera, valoriza e propõe mudanças estruturais para reduzir desigualdades.
Estratégias para uma comunicação política eficaz no Dia das Mulheres
· Ação concreta: Em vez de apenas postar uma homenagem, anuncie um projeto, uma lei ou uma iniciativa que beneficie as mulheres.
· Conteúdo educativo: Traga dados sobre a luta feminina por direitos e conquistas históricas.
· Espaço para vozes femininas: Dê protagonismo a mulheres na sua equipe, na sua base eleitoral ou na sua comunidade.
· Autenticidade: Seja verdadeiro. Se sua trajetória política já inclui pautas em defesa das mulheres, traga isso com naturalidade. Se não, ouça especialistas e busque entender mais sobre o tema.
O legado do Dia das Mulheres na política
O 8 de março não pode ser só um evento de um dia, mas um lembrete de que há muito trabalho a ser feito. Políticos que realmente querem se conectar com o público feminino precisam mostrar, o ano todo, que estão comprometidos com pautas que afetam as mulheres de forma direta.
No fim das contas, a comunicação política eficaz no Dia das Mulheres não é sobre dizer as palavras certas, mas sobre demonstrar ações que fazem a diferença.
E você, como tem comunicado e aplicado essas questões na sua atuação política?
Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras

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