
O procurador de Justiça Domingos Sávio Barros Arruda, do Ministério Púbico de Mato Grosso (MPMT), defendeu nesta segunda-feira (24) que o órgão seja independente, soberano e livre, para agir sem amarras e em favor dos interesses da sociedade. Para ele, o MP não pode ser “chapa branca”, quando se toma partido de algum governo, sem fazer qualquer tipo questionamento, pois compreende que a instituição não é lugar para os “interesseiros, deslumbrados ou os medíocres” que aceitam se subordinar perante os governantes.
“Nunca devemos ter entre nós medíocres, pusilânimes, deslumbrados ou interesseiros, que se curvam docilmente perante os governantes de ocasião. Aqui de fato não é lugar para esse tipo de gente. Não podemos ser um Ministério Público chapa branca. Devemos e seremos sempre fortes”, sinalizou, ao pontuar sobre a necessidade de independência funcional do órgão e de seus membros.
Reprodução/Instagram
Na oportunidade, o procurador tratou de explanar sobre o termo “chapa branca”, relembrando que expressão servia para designar pessoas ou instituições que ainda que não ostensivamente, mas que de maneira sorrateira, defendem, apoiam ou se alinham a governos. Ele reiterou que esse alinhamento se dá em troca de favores.
“Um inescrupuloso toma lá, dá cá, urdido nos palácios ou em jantares secretos. O sujeito, encantado com os brilhos do poder e sonhando com as vantagens que ele pode lhe proporcionar, se ajoelha diante do mandatário e torna seu vassalo, um fiel escudeiro. Agora imaginem o desastre que ocorre se o Ministério Público, pelas mãos dos seus dirigentes, se tornar uma instituição chapa branca”, destacou.
Ele reconheceu que existe a possibilidade de haver um Ministério Público chapa branca – embora considere isso um absurdo, tratando de maneira macro e sem sinalizar sobre qual MP estaria se referindo -, caso a instituição tenha como chefe “alguém descomprometido com o interesse público, ambicioso e desavergonhado”
“O Ministério Público, que tem como função precípua defender os mais elevados direitos e interesses da sociedade – e que inclusive para esse fim deve, quando necessário, combater atos e omissões dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – ele ficaria preso inerte subjugado aos ditames dos mandatários de plantão, dos considerados ‘donos do poder'”, salientou – veja o vídeo completo abaixo:
Domingos Sávio é conhecido por ter opiniões fortes e conscientes. O pronunciamento, dessa vez, ocorre em um momento em que o ex-procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz, tem a postura à frente do órgão questionada pelo deputado federal Emanuelzinho (MDB) junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, em razão da sua proximidade com o governador Mauro Mendes (União Brasil).
Fora de polêmicas
No mês passado, a Corregedoria-geral do MPMT recomendou aos membros do orgão que evitassem comentar assuntos que pudessem gerar polêmicas ou tensionamento entre oos poderes. A orientação ocorreu em meio a posicionamentos de membros do órgão que, de forma recorrente, se manifestam sobre casos polêmicos nas redes sociais e até chegam a tecer críticas contra o atual governador, Mauro Mendes (União Brasil).

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