‘O Brutalista’ mostra que o sonho americano pode se tornar um pesadelo para o imigrante

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O brutalismo é um estilo arquitetônico caracterizado por uma estética crua, como o objetivo de passar uma sensação de honestidade e autenticidade na construção.

 

O diretor Brady Corbet usa essa metáfora em O Brutalista, que estreia nesta quinta-feira (20) nos cinemas brasileiros. Para ele, existe uma relação entre essas construções e a vida dos imigrantes que tentam conquistar o sonho americano.

 

O movimento brutalista se popularizou nas construções públicas do pós-guerra, visto que as bases do estilo são o concreto, um material barato e simples de produzir, e o uso dos espaços amplos e luz natural, o que reduzia o custo público das facilidades.

 

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No Brasil, o brutalismo é marcado por estruturas como o Masp, o Copan e a Fiesp, em São Paulo. O movimento também influenciou boa parte da construção de Brasília.

Corbet afirmou para o The Hollywood Reporter que uma das bases para a construção do filme foi saber da aversão de Donald Trump ao edifício J Edgar Hoover, construção brutalista que abriga o FBI em Washington.

 

O presidente americano afirmou em seu primeiro mandato que tinha a intenção de destruir a construção para fazer uma nova mais “bonita”. No início do segundo mandato, um dos focos de Trump é atacar a imigração ilegal nos EUA.

O Brutalista começa em 1947 e conta a trajetória de László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto húngaro judeu que, após sobreviver ao Holocausto, se perde de sua esposa (Felicity Jones) e de sua sobrinha (Raffey Cassidy), e consegue imigrar para os Estados Unidos, onde encontra o industrial Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce).

 

O milionário fica fascinado com as obras de Tóth e decide virar uma espécie de mecena para o arquiteto, pedindo um centro cultural para a cidade. A história de Laszló gira em torno do sonho americano, a ideia de que os Estados Unidos são a terra da liberdade e da oportunidade.

 

Porém, o protagonista começa a ver que este sonho, na verdade, é uma mentira ou um pesadelo. A realidade do imigrante é o gatilho inicial da discussão de O Brutalista, mas ela acaba sendo diluída e perdendo o fôlego durante as três horas e 36 minutos do longa.

 

Apesar da perder o foco na parte final, o tempo e o ritmo do filme são ótimos, fazendo com que a longa duração de O Brutalista não seja sentida. O roteiro, escrito por Corbet e Mona Fastvold, e a fotografia, que capta maravilhosamente os ambientes e a arquitetura dos locais, também se destacam.

Por fim, as atuações, tanto o elenco principal (Brody, Jones e Pearce), quanto do elenco de apoio, com destaque para Joe Alwyn, fazem o roteiro chegar ao seu potencial completo.

 

O Brutalista, entretanto, não escapou das polêmicas que marcaram a temporada de premiações. A principal delas foi o uso de inteligência artificial para refinar os diálogos em húngaro dos atores Adrien Brody e Felicity Jones.

Apesar disso, o longa concorre a dez Oscars, entre eles Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor (Brady Corbet), Melhor Ator (Adrien Brody), Melhor Ator Coadjuvante (Guy Pearce) e Melhor Atriz Coadjuvante (Felicity Jones).

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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