
Ameaças e extorsões feitas por criminosos, muitas vezes ligados a facções como o Comando Vermelho, são armas usadas para calar as vítimas de tais crimes de procurarem a Polícia ou o Ministério Público. Recentemente, duas lojas em Paranatinga (a 384 km de Cuiabá) foram alvos de incêndios criminosos . Chefe do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), o promotor de Justiça Adriano Roberto Alves incita a população a reagir e não se render à chantagem das facções.
“Aqueles que vierem, seja no Ministério Público aqui em Cuiabá ou em qualquer Gaeco do interior, ou às vezes até um promotor de Justiça da sua comarca, normalmente se quiser fazer uma denúncia anônima, nos forneça os dados que a gente precisa. A gente não identifica e a gente trata esses dados. É claro que tem que ser um dado substancial, porque se não a gente não consegue pegar o fio da meada para desenvolver a investigação”, afirma, em entrevista ao . PJC
Incêndio criminoso em lojas assustou a população de Paranatinga; sete foram presos por envolvimento com o crime
Logo após os incêndios criminosos, o Gaeco enviou agentes para Paranatinga, segundo destaca o coordenador. Ele salienta que trata-se de uma investigação difícil de ser feita antes de algo acontecer, já que sentem medo de denunciar. Ainda assim, a Polícia Civil conseguiu agir rápido e sete suspeitos já foram presos pelo crime . A ordem, conforme as investigações, partiu de detentos do Centro Penitenciário do município.
À reportagem, o promotor de Justiça diz lamentar que os mandantes desse tipo de crime geralmente estão dentro do Sistema Penitenciário e tenham facilidades para usar o celular e dar ordens. “Esse é um gargalo que nós temos que resolver, e estamos tentando resolver, conversando, dialogando com o Poder Executivo”, afirma.
“Agora essa lei foi para o Legislativo, e a gente precisa realmente ter uma legislação que endureça mais essa execução dessa pena, não é possível que criminosos que continuam decapitando pessoas, dando salve, arrancando o braço, mandando incendiar lojas”, acrescenta, citando o projeto de lei de autoria do Executivo que recentemente foi aprovada pelos deputados estaduais e sancionada pelo Governo, que restringe a entrada de celulares nas unidades prisionais e endurece as regras para visita social e visita íntima.
Annie Souza
Da forma como foi aprovada pela Assembleia, o funcionamento dos “mercadinhos” havia sido mantido, mas com rigor na fiscalização. O artigo, porém, foi vetado pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) – o que gerou resposta da Justiça na Comarca de Sorriso . O chefe do Executivo promete recorrer da decisão .
O chefe do Gaeco se mostra alinhado à posição do Governo do Estado, pelo menos no que tange membros de facções criminosas – em especial, as lideranças que mandam e desmandam sem precisar deixar suas celas.
“Esses criminosos não podem receber visita íntima, esses criminosos não podem ter acesso a um mercadinho. Eles têm que ficar isolados. Esses criminosos, quando forem se comunicar com alguém de fora, para evitar que se passe ordens, tem que ser no parlatório, não pode ter contato físico”, dispara.
“Se continuar permanecendo isso, com essa doutrina nossa, com esse pensamento nosso, com essa cultura nossa, essas coisas continuarão a acontecer de dentro das cadeias”, completa.

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