Publicitária conta como descobriu câncer agressivo ao notar bolinha na axila

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A publicitária Fernanda Natel, de 35 anos, ficou surpresa quando observou um pequeno nódulo, do tamanho de uma bolinha de gude, em sua axila esquerda. Na época, ela tinha 24 anos, estava no auge profissional, praticava esportes e lidava com uma rotina exaustiva. Não passava pela sua cabeça que esse seria o primeiro sinal de uma longa jornada contra um câncer.

 Preocupada, Fernanda, que mora em São Paulo (SP), procurou uma dermatologista e retirou o nódulo. O material foi enviado para a biópsia e, a princípio, o laudo indicou que não existiam propriedades malignas. “Segui com a minha vida normalmente, treinando e trabalhando”, disse ela, em entrevista à CRESCER. No entanto, a bolinha voltou a aparecer, acendendo um novo alerta.

Arquivo Pessoal

Entre uma reunião e outra, a publicitária retornou ao hospital. Lá, ela foi surpreendida com a notícia de que precisaria passar por uma cirurgia maior para a retirada do nódulo, que estava vascularizado. Após o procedimento, os médicos chamaram Fernanda para uma conversa. “Pensei: ‘Vou perder meu emprego, já fiquei um dia inteiro lá’. Mas, me falaram que seria ideal eu ir com alguém”.

Acompanhada da mãe, a publicitária recebeu a notícia que mudou completamente sua vida. Sua bolinha era, na verdade, um câncer conhecido como sarcoma de Ewing — um tumor ósseo que também pode surgir em tecidos de partes moles. “A ficha demora bastante para cair”, Fernanda ressaltou. “Mas nunca acreditei que iria embora. Sabia que era uma tempestade, que teria que focar 100% em mim, mas nunca acreditei que estaria sofrendo risco de vida”, complementou.

Com o tempo, a publicitária descobriu que seu primeiro exame estava equivocado, o que retardou o tratamento por um ano. Com o diagnóstico correto em mãos, Fernanda chegou até o oncologista Rodrigo Munhoz, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Segundo o especialista, o caso de Fernanda é muito raro, pois esse tipo de câncer acomete principalmente crianças e adolescentes. “É um tumor que demanda um tratamento complexo multimodal, envolvendo cirurgia, quimioterapia prolongada (normalmente de um ano) e, em alguns casos, radioterapia. Felizmente, hoje, conseguimos oferecer uma chance de cura muito mais alta. Por isso, precisamos preparar o paciente em relação às toxicidades de longo prazo”, explicou. Entre os efeitos colaterais da quimioterapia estão queda do cabelo e de imunidade, assim como a indução da menopausa.

Do tratamento à notícia da gravidez

O sarcoma de Ewing é um câncer agressivo que exige um longo tratamento. Fernanda passou por vários procedimentos, incluindo 51 quimioterapia e 26 radioterapias, além de uma cirurgia. O tratamento se estendeu por um ano e meio. Antes, ela foi orientada a congelar os seus óvulos. “Tive muita esperança. Se eu tivesse feito quimioterapia e não conseguisse ser mãe, isso teria acabado com a minha vida, porque já tinha o sonho de ter filhos”, reflete.

“Pausei a vida. Não podia ir em lugares com muitas pessoas. Devido à imunidade baixa, ficava com medo de pegar um resfriado, praticar esporte”, lembra. O câncer também teve um impacto expressivo na autoestima de Fernanda. “Você perde seus cílios, sua sobrancelha, sua pele fica toda branca e amarela, perde seu cabelo. O mais desafiador é entender que aquilo é uma fase e que temos que ser fortes. É muito difícil e dolorido. Você fica cheia de machucados e tem dia que não tem forças para se levantar. Mas é preciso cuidar do seu emocional e entender que você vai parar a sua vida para se cuidar, sobreviver e voltar ainda mais forte”, diz.

Felizmente, Fernanda recebeu a tão sonhada notícia de que estava livre do câncer. Seis anos depois, mais uma surpresa boa! Ela engravidou do seu primeiro filho, João Pedro, 2 anos. Um ano depois, foi a vez de Martina. Fernanda conta que não precisou usar seus óvulos congelados e suas gestações foram tranquilas. “Fiquei muito feliz! Depois de tudo que passei, consegui gerar duas vidas saudáveis”, afirmou.

Hoje, a mãe usa as suas redes sociais (@vou.tirar.de.letra) para falar sobre a sua jornada e, principalmente, incentivar as mulheres diagnosticadas com câncer a congelarem seus óvulos e não desistirem do sonho da maternidade. “Não deixe que uma doença te restrinja. Lutei pelos filhos que nem existiam ainda”, finalizou.

Link da Matéria – via RD News

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