
O promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Adriano Roberto Alves, é contra a existência de “mercadinhos” em presídios de Mato Grosso. Para ele, as organizações criminosas utilizam desses estabelecimentos para lavagem de dinheiro, controle interno e fonte de renda às facções.
Adriano citou o depoimento do líder do Comando Vermelho em Mato Grosso, Sandro Silva Rabelo, o “Sandro Louco”, em que o faccionado fala sobre o esquema de lavagem de dinheiro por meio de um mercadinho, dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, afirmando que havia ligação com o CV. O chefe do Gaeco disse ainda que existe uma investigação em andamento, mas que não pode dar detalhes para não atrapalhar o processo.
Annie Souza
Sobre o fato de que a Lei de Persecução Penal prevê locais para venda de produtos e objetos permitidos dentro das penitenciárias, o chefe do Gaeco declarou que trata-se de uma previsão, caso o Estado não forneça os itens essenciais.
“O Estado fornece o necessário, o essencial a todos os que estiverem reclusos e que não dê margem a faltar nenhum medicamento, nenhum alimento, nem material de higiene, nem alimentação, nem medicamento, para que o Estado forneça tudo e não exista o mercadinho”, disparou.
Questionado sobre declarações de detentos e familiares quanto a falta de itens de higiene pessoal nas penitenciárias – por isso a necessidade dos mercadinhos – o promotor declarou que desconhece tal realidade e que “o mais correto seja cobrar que o Estado forneça [os itens], se não estiver fornecendo”.
Governador também é contra
Em janeiro, a Assembleia Legislativo aprovou o substitutivo integral que endurece regras dentro das unidades prisionais do estado. No entanto, manteve a permissão do funcionamento de “mercadinhos” dentro dos presídios, mas com rigor na fiscalização, ou seja, itens como carne e bebidas estão proibidos. Entretanto, governador Mauro Mendes (União Brasil) vetou , após recomendação da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
Mauro, assim como o chefe do Gaeco, afirmou que os mercadinhos e cantinas nas penitenciárias têm sido historicamente usados por facções criminosas como instrumentos de controle interno e que isso ameaça à ordem e segurança dentro das penitenciárias mato-grossenses.

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