
Recém-empossado chefe do Ministério Público de Mato Grosso, Rodrigo Fonseca insinuou compartilhar da opinião contrária do governador Mauro Mendes (União Brasil) sobre a adoção de câmeras corporais por policiais militares. Nesta semana, o novo procurador-geral de Justiça afirmou que vê o monitoramento das cidades mato-grossenses, como o que é feito por meio das câmeras do programa Vigia Mais MT, implantado pelo Governo do Estado, como um meio mais efetivo no combate ao crime em Mato Grosso.
Rodinei Crescêncio
Como argumento, Rodrigo salientou o alto investimento necessário para implantação das câmeras em PMs e o custo de manutenção, além de ver a pauta como algo a ser discutido em nível nacional e não estadual.
“O dinheiro público é finito e as necessidades são muitas vezes maiores do que o dinheiro público que você tem ali para utilizar. Essa questão das câmeras é uma discussão nacional. Vão surgir custos de manutenção dessas câmaras. Quanto isso vai custar? Quanto tempo nós temos que trocar elas? Tudo isso tem que ser bem discutido para não se criar algo que fique obsoleto dentro de seis meses ou daqui a pouco”, completa.
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Segundo o procurador, o monitoramento de ruas e avenidas é suficiente e um exemplo de equilíbrio entre eficiência – quando observado no aspecto de enfrentamento contra o crime – e custo financeiro, devendo ser ampliado para todo o estado. Dados recentes divulgados pelo Governo apontam que 126 dos 142 municípios do Estado já aderiram ao programa, recebendo as câmeras para implantação.
“Seria muito importante a gente ter um monitoramento online preciso a todo momento de todo o Mato Grosso, nas principais avenidas de todas as cidades do estado. Com isso você consegue ver movimentações de veículos, movimentações de pessoas. Isso combate ao crime. Nós temos que discutir tecnicamente a melhor forma de combater o crime”, defende. “ O monitoramento de cidades reduz a criminalidade. Isso foi provado mundialmente.” Rodrigo Fonseca
Atualmente, Mato Grosso tem mais de 20 mil câmeras do Vigia Mais MT. Conforme a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), os municípios que integram o programa fazem a instalação das câmeras disponibilizadas – algumas delas com alcance de leitura de placas em um raio de até 2,5 km de distância – e, a partir daí, o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), os gestores e policiais têm acesso a todas as imagens captadas e podem acompanhá-las em tempo real.
A ideia, conforme o secretário da Sesp, coronel PM César Roveri, é criar uma verdadeira “muralha digital” no estado para reprimir as ações criminosas e trazer mais sensação de segurança à população. Para o novo PGJ, o caminho adotado pelo Executivo estadual segue modelos já explorados por países de primeiro mundo, como os Estados Unidos.
“Eu acho que esse programa deve ser cada dia ampliado. Acho que é um programa importante, o monitoramento de cidades. O monitoramento de cidades reduz a criminalidade. Isso foi provado mundialmente. Você vai nos Estados Unidos, logo após os atentados, eles fizeram o reconhecimento facial e colocaram monitoramento nas ruas e aquilo foi eficiente. É um modelo mundial que me parece que vem sendo aprovado por critérios técnicos. Então a gente deve buscá-lo”, finaliza o chefe do MP.

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