
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Durante audiência de custódia, realizada na 12ª Vara Criminal de Cuiabá, na tarde desta quarta-feira (29), o tenente-coronel da Polícia Militar, Otoniel Gonçalves Pinto , disse que não queria vingança ao atirar na direção do suspeito de invadir e roubar sua residência, em 28 de novembro de 2023. Ele assevera que estava apenas protegendo a sua família. O tiro acertou Luanderson Patrik Vitor de Lunas , de 20 anos, que estaria dando suporte ao assaltante. Ele morreu no local.
A audiência foi presidida pela juíza Helícia Vitti Lourenço. Além de Otoniel, também foram ouvidos sua esposa, que foi feita de refém no crime, o pintor, que trabalhava em sua casa, o pai de Luanderson, investigadores que atenderam a ocorrência, um perito da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e o delegado Edison Pick, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá e responsável pela investigação do homicídio. Reprodução
Audiência de instrução do caso
Otoniel conta que o caso aconteceu por volta das 7h40. Ele diz que saiu de casa com a esposa para levar as filhas para a escola e, quando voltou, foram surpreendidos por um assaltante. “Ele apontou arma para mim e começou a gritar: ‘perdeu, perdeu, perdeu, pro chão, pro chão, pro chão’. Ele viu minha esposa e também mandou ela ir pro chão”, relata.
O sogro de Otoniel também estava no imóvel no momento do crime, mas estava dormindo em um dos quartos. “Ele acordou meu sogro gritando, e ele quase caiu da cama”. O assaltante, segundo ele, também pegou uma arma do policial e colocou as vítimas em outro cômodo da residência, enquanto efetuava o roubo.
O PM afirmou que, quando o suspeito descobriu que ele era policial militar, foi ameaçado de morte. “Você é polícia, eu vou ter que te matar”, teria dito o assaltante. “Eu falei: não, calma. Pega o que você quer e vai embora”, disse Otoniel na audiência.
O tenente-coronel ressaltou que, a todo momento, o assaltante falava no telefone com outra pessoa.
Após a ação, o suspeito mandou o PM o acompanhar até a porta para abrir o portão. Quando o assaltante estava saindo, Otoniel relata que pegou uma arma, que estava em cima da geladeira, e deu ordens de parada. “Quando eu sai na porta, vi ele com a arma na mão, na janela do carro, apontando para mim. Aí eu efetuei os disparos”, frisa.
Questionado, Otoniel não sabe se o suspeito efetuou disparos contra ele. “Ele atirou? Vou ser sincero, pode ter atirado sim. Mas na hora do tiroteio, não sabe de onde vem os tiros”.
“Eu tenho certeza que eu estava certo. Naquele momento, se eu não puder nem defender minha familia, sabendo que eu tenho obrigação de prender o cara. Se eu não cumprisse essa obrigação com a minha familia, aí tem que tomar a arma de todo policial, porque não tem porquê de estar armado, de estar trabalhando na rua”, dispara.
Juíza quer vídeos do caso
Durante os depoimentos, investigadores mencionaram vídeos de câmeras de segurança que mostram parte da dinâmica do caso. No entanto, as gravações não estavam disponíveis nos autos do processo e não foram analisados por ela e nem pela promotora Élide Manzini de Campos.
Durante depoimento, o delegado Edison Pick explicou que o vídeo não foi incluído no Processo Judiciário Eletrônico (PJE), pois o arquivo é muito grande e para subir no sistema. No entanto, caso seja requerido, as imagens podem ser cortadas em partes para serem incluídas.
A magistrada entende que, as imagens podem ser conclusivas para o caso e intimou a autoridade policial a incluir o arquivo. Agora, a parte terá cinco dias para disponibilizar o vídeo.
Uma nova audiência deve ser marcada para o julgamento.
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