
O vereador Chico 2000, presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, disse que poderá readmitir os 3 servidores do Legislativo municipal que foram exonerados após serem presos na Operação Ragnatela, caso seja comprovada a inocência deles. Ele pontuou que a situação deles é diferente da do vereador Paulo Henrique Amorim (MDB), que também foi alvo, e que o presidente da Casa tem prerrogativa para exonerá-los sem processo administrativo.
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“É ato de gestão. Tão logo soube da prisão de 3 pessoas que trabalham aqui na Casa, imediatamente nós fizemos a exoneração dos 3. Essa é uma medida permitida ao presidente”, explicou o presidente em entrevista nesta quinta-feira (6).
Foram exonerados o coordenador do cerimonial da Câmara de Cuiabá, Rodrigo de Souza Leal, que foi indicado para o cargo pelo vereador Paulo Henrique, além dos servidores comissionados Wilian Aparecido da Costa Pereira, o dono do Dallas Bar, e Elzyo Jardel Xavier Pires, que era promotor de eventos. Chico 2000 explicou que a situação de Paulo Henrique é diferente.
“Os servidores foram nomeados. Livre nomeação e livre exoneração. Esses servidores estão preso. Não confunda o servidor nomeado com o vereador eleito. A regra é diferente, a legislação é diferente. Então o [servidor] ele foi nomeado como se ele está preso e tem que ser exonerado”.
O presidente da Casa de Leis afirmou que não teve outra escolha a não ser exonerar os servidores, mas admitiu a possibilidade de retornarem à Câmara.
“Se nós temos informações e evidências, em mais de uma mídia, de que os 3 estão preso eu vou esperar o quê? Agora, se eles são inocentes não tem problema, podemos readmiti-los, mas nesse momento eles estão presos, nem para cumprir suas funções aqui Casa que eles virão, então eu não tive outro caminho que não fosse exonerá-los”.
Operação Ragnatela
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (FICCO/MT) prendeu na manhã de quarta-feira (5) um total de 8 pessoas e cumpriu 36 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e no Rio de Janeiro contra membros do Comando Vermelho que usavam casas noturnas em Cuiabá para lavar dinheiro do crime.
Ao todo, cerca de 400 policiais cumpre as ordens de prisão e de busca e apreensão. Há ainda sequestro de imóveis e veículos, bloqueio de contas bancárias, afastamento de servidores de cargos públicos e suspensão de atividades comerciais. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais da Comarca de Cuiabá.
As investigações apontaram, por exemplo, que os criminosos que participavam da gestão das casas noturnas em Cuiabá utilizavam a estrutura para fazer show de cantores conhecidos, custeados pela facção criminosa em conjunto com um grupo de promoters.
Os acusados repassavam ordens para não que não fossem contratados alguns artistas de outros estados, com influência em outras organizações criminosas rivais, sob pena de represálias da facção.

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