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O planejamento financeiro tem sido um tema recorrente em tempos de incertezas econômicas, principalmente neste período de início de um novo ano. No entanto, a abordagem desse assunto varia significativamente entre gerações. Enquanto gerações passadas optaram por uma postura mais prudente, as mais jovens frequentemente se veem influenciadas pelo consumo imediato e pelas novas dinâmicas sociais.
De acordo com a educadora e consultora financeira Patricia Capitanio, a Geração Z – que compreende os nascidos entre 1997 e 2010 – não possui uma preocupação adequada quando se trata de dinheiro, em especial as necessidades futuras como a aposentadoria, por exemplo, o que os faz gastar com tudo o que deseja em um determinado momento, como uma forma de compensação.
“A geração anterior, dos nossos pais, vivia com muito menos dinheiro. Já nós viemos numa geração, de quem está com seus 20, 30 anos, que a gente quer compensar o que os nossos pais não tiveram. E essa compensação, com a economia que temos atualmente, com os preços elevados e inflação alta, a matemática não fecha”, explicou.
Capitanio explicou que uma das principais diferenças entre as gerações é a priorização, visto que, enquanto nossos pais viviam focavam na segurança financeira e na aquisição de bens essenciais ao longo do tempo, os jovens de hoje tendem a buscar imediatismo e recompensas instantâneas.
Para Patricia, essa diferença cultural reflete também na maneira como os indivíduos lidam com despesas variáveis. Muitos jovens, por exemplo, acabam priorizando lazer, como saídas e viagens, ao invés de criar uma reserva financeira. “O brasileiro inverteu a ordem de prioridades. Guardar dinheiro é a última coisa que pensamos em fazer”, destacou a especialista. Arquivo pessoal
Educadora e consultora financeira Patricia Capitano
“A gente quer viajar, a gente quer dar um presente bom para as pessoas, eu quero aproveitar a vida, a vida se vive uma vez, trabalho tanto para quê? Então, a gente vive num processo de compensação inteira. E aí, o que acontece? O bolso pesa. E então vem a consciência pesada. Só que qual é o problema da consciência pesada? Logo, a gente esquece dela”, disse Patricia.
Orçamento e consumo
O consumo desenfreado durante datas comemorativas, como as festas de final de ano, exemplifica bem o comportamento financeiro atual. Segundo Patricia, o mês de janeiro, frequentemente considerado um mês de ajustes, revela os efeitos desse descontrole. “E aí, automaticamente, nos próximos meses, está lá a gente pisando o ‘pé na jaca’ de novo e fazendo coisas de forma muito imediata”, disse a consultora financeira.
Questionada sobre uma possível solução Patricia destaca que a primeira coisa a se fazer é uma organização antecipada, com foco em despesas previsíveis como: IPTU, IPVA, material escolar, contas de água e luz, por exemplo, que são gastos recorrentes e podem ser planejados ao longo do ano.
“Para cada pessoa existe uma priorização. Por exemplo, tem pessoas que priorizam não ter o nome negativado. A gente tem que priorizar o essencial. O que é essencial? Se eu pago aluguel, aluguel é importante. Uma conta de energia é importante, uma conta de água, uma conta de gás”, destacou.
Patricia disse ainda que tem percebido que as pessoas estão gastando dinheiro com “coisas aleatórias”, deixando de lado as prioridades e “trocando os objetivos por tentações”.
“É a saidinha de final de semana, é o churrasco, é a bebida, é o ‘tigrinho’, são outras inúmeras coisas que são supérfluas da pessoa. E aí, quando eu tenho um supérfluo muito inchado, eu acabo deixando de priorizar o que realmente é importante. Então, eu deixo de quitar uma dívida, eu deixo de, às vezes, estar morando num lugar melhor”, afirmou. “ Se não guardarmos dinheiro agora, no futuro a redução do padrão de vida não será uma escolha, mas uma obrigação” Patricia Capitano
Reserva financeira
A criação de uma reserva financeira também é vista como vital, especialmente em um contexto de instabilidade econômica. Patricia explicou que guardar dinheiro garante tranquilidade diante de imprevistos, como um aumento nos custos de vida ou emergências médicas.
“Eu sempre faço essa seguinte pergunta. Se eu precisar fazer uma cirurgia de emergência agora, que é pra salvar minha vida, ou seja, ou eu faço, ou eu morro. Eu teria dinheiro hoje pra salvar minha vida? E aí, 90% das pessoas hoje não tem esse dinheiro. Então, o que a gente está fazendo nessa vida? Vagando para pagar boleto? Será que isso realmente tem um significado?”, indagou.
Rompendo o ciclo vicioso
Patricia destacou que a chave para romper com esses hábitos está na organização. O uso de planilhas ou aplicativos financeiros pode ajudar a identificar gastos e a criar um orçamento realista. “Você precisa saber exatamente para onde está indo o seu dinheiro e refletir: isso é realmente necessário?”, questionou.
Segundo a especialista, a longo prazo, a transição para um consumo consciente e o foco na segurança financeira podem ajudar a evitar problemas graves no futuro. “Se não guardarmos dinheiro agora, no futuro a redução do padrão de vida não será uma escolha, mas uma obrigação”, afirmou.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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