
O procurador de Justiça Alexandre rebate a recente declaração do governador Mauro Mendes (União Brasil), que ao rejeitar o uso de câmeras corporais pelos PMs, sugeriu que juízes, desembargadores, membros do Ministério Público e políticos sejam obrigados a usar o equipamento para evitar corrupção. Como exemplo, o chefe do Executivo citou o escândalo de venda de sentenças que atinge o Judiciário mato-grossense.
Ednilson Aguiar/O Livre
Para reforçar seu argumento, Alexandre Guedes mencionou episódio ocorrido em São Paulo, quando PMs foram filmados jogando um homem de uma ponte na Zona Sul da capital paulista. O caso repercutiu nacionalmente.
“Promotores de Justiça não jogam pessoas de pontes. Policiais militares já fizeram isso, conforme registrado em vídeos gravados por populares. Essa é a diferença”, afirmou
Após o episódio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que desde 2022 criticava o uso de câmeras nas fardas e chegou a flexibilizar a medida, mudou de opinião, Em entrevista, reconheceu a necessidade do equipamento para evitar abusos da PM.
Além disso, Alexandre Guedes ponderou que as que as atividades realizadas por membros do Ministério Público e por policiais militares não podem ser confundidas. Também lembrou que as câmeras corporais são usadas pelas policiais do países mais desenvolvidos do mundo.
“Não podemos misturar coisas diferentes. O trabalho do Ministério Público é feito com canetas e assinaturas. A polícia, por sua vez, utiliza as ferramentas de violência legítima do Estado: armas, algemas, camburões e cassetetes. É por isso que suas ações, assim como ocorre nos países mais civilizados do mundo, são acompanhadas em tempo real por câmeras”, completou.
Embora o Ministério Público de Mato Grosso tenha decidido não se manifestar oficialmente sobre a declaração do governador, o procurador Domingos Sávio Barros Arruda também comentou o caso publicamente.
Sem citar nomes, classificou o posicionamento de Mauro Mendes c como “ofensivo”. Disse ainda que revela “total ignorância” sobre segurança pública.
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