
O presidente do Instituto Mato-grossense da Carne, Caio Penido, afirmou que um dos focos do setor neste ano será fortalecer a exportação para mercados consumidores da Ásia e Oriente Médio. No mercado interno, que representa 65% do consumo, o foco é incentivar o consumo de carne gourmet nacional para competir com produtos importados.
Rodinei Crescêncio
“Temos que fortalecer esses países consumidores como Indonésia, Egito, Turquia, Vietnã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Eles são grandes importadores e compradores fiéis. A Indonésia é uma expectativa grande, os tratados de exportação foram assinados, mas não entrou em uma escala grande ainda. Com uma população muçulmana que consome muita carne, a entrada em larga escala da Indonésia no mercado pode ter impacto significativo para o Brasil”, afirmou.
Esses países são apontados como consumidores estratégicos devido à alta demanda e à dependência de importações. No Egito, por exemplo, a segurança alimentar é prioridade. “Se Mato Grosso parar de exportar carne para o Egito, eles enfrentam sérias dificuldades alimentares”, relatou.
Além disso, a África está no radar, com empresas brasileiras, como a JBS, investindo na construção de plantas na Nigéria. “São países que estão na tendência de crescimento, como Paquistão, Nigéria e Egito, que consomem muita carne e mas não conseguem produzir. Austrália, Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Canadá já estão muito intensificados, muito confinados, não conseguem produzir mais. O Brasil por ter boa parte dos pastagens com baixa produtividade, ainda pode melhorar genética, nutrição, manejo, gestão e podemos acompanhar esse crescimento e garantir a segurança alimentar”, pontuou o presidente.
No entanto, Caio afirma que é importante alinhar o aumento da produção com a demanda global. “Não adianta intensificar sem mercado consumidor. Se houver excesso de oferta, o preço da carne brasileira cai e prejudica a balança comercial”, alerta.
Por outro lado, mercado interno continua sendo vital. Com 65% da produção destinada ao mercado interno, a indústria bovina de Mato Grosso vê potencial para expandir o consumo local, especialmente em carnes gourmets.
“Queremos tomar um pouco de mercado de carnes gourmets de fora, que estão chegando também no Brasil. Em Mato Grosso, às vezes você vai num lugar e tem carne do Uruguai, carne da Argentina. Vamos comer a nossa carne gourmet. Temos condições de produzir, temos carne de altíssima qualidade”, afirma.
Desafios
Para o presidente do Imac, existem alguns obstáculos para maior avanço do mercado brasileiro. “Tem esse discurso, de que temos muitas hectares de pastagens degradadas, a gente tem que regularizar essa cadeia, tem que ter um caminho de monitoramento ambiental mais pragmático, mais possível de ser seguido e atingir um compliance, uma regularização para conseguir fornecer com tranquilidade para o mercado. Tem uma revolução para acontecer de tecnologia, de gestão, de mecanização, de nutrição, treinamento, assistência técnica, para o pequeno produtor”, finalizou.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Faça um comentário