
Jacques Gosch/Rdnews/arquivo
Vereador Abilio Brunini, em 2018, em tumulto na inauguração do HMC, e hoje, na posse como prefeito de Cuiabá
Naquela noite de 28 de dezembro de 2018, na solenidade de inauguração pelo então prefeito Emanuel Pinheiro do Hospital Municipal de Cuiabá, um jovem de 34 anos, careca, trajando camiseta cinza, calça jeans e tênis, “roubou” a cena. Tudo propositalmente.
Agindo de forma inconsequente, apareceu no evento fazendo uma live em suas redes sociais para, em meio ao tumulto provocado por ele mesmo, reclamar do que chamou de vergonha, que seria inaugurar um hospital com obra inacabada. Enquanto aliados do prefeito chamavam o vereador de primeiro mandato Abílio Brunini de “doido” e “irresponsável”, sendo empurrado para fora dali por seguranças, ele, que chegou a rolar no chão e reclamar de agressão, ganhava notoriedade e as manchetes.
Era tudo que Abílio queria: virar notícia, nem que fosse com enfoque negativo.
E, assim, como estilingue, foi se destacando. Suas redes sociais “explodiram” de seguidores. Não vencia o número de pessoas que procuravam-no para municiá-lo de informações sobre eventuais irregularidades e esquema de corrupção no serviço público, acerca de obras abandonadas, de falta de medicamento e de bairros pedindo socorro por falta de infraestrutura.
Hoje, sete anos depois daquele episódio, Abílio senta na cadeira de prefeito, substituindo justamente aquele que tanto criticou e que o fez ganhar projeção. De estilingue, virou vidraça. Chegou a hora no novo prefeito, como o poder da caneta de quem toca o Executivo, não mais rolar no chão quando se deparar, por exemplo, com alguma obra incabada, mas sim de buscar solução para conclui-la.

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