
A deputada federal por Mato Grosso Coronel Fernanda (PL) e sua colega de Parlamento Sâmia Bomfim (Psol-SP) protagonizaram um embate, na tarde dessa terça-feira (04), durante sessão na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara Federal. A matéria em discussão era a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2023, que visa tornar crime a posse ou porte de qualquer quantidade de drogas sem autorização legal.
Reprodução de vídeo
Sâmia disse que a parlamentar mato-grossense tem “moral de esgoto, de lixo”. Isso porque a Coronel Fernanda citou o caso do irmão da pesolista, assassinado no ano passado, no Rio de Janeiro.
Ocorre que Sâmia se posicionou contrária à PEC e classificou o relator do texto, deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), como “traficante de madeira”. Ex-ministro do Meio Ambiente no Governo Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar réu em ação na Justiça Federal por esquema de exportação ilegal de madeira.
Para defender o correligionário, Coronel Fernanda usou o assassinato do irmão de Sâmia, o médico Diego Ralf de Souza Bomfim, para cobrar posicionamento contra o tráfico de drogas.
O irmão de Sâmia é um dos quatro médicos que foram assassinados em outubro de 2023, no Rio de Janeiro, onde participavam de um congresso internacional de ortopedia. O crime foi cometido por engano. Os assassinos confundiram os médicos com milicianos rivais.
“Ela [Sâmia] não concordar com o tema não dá o direito dela ofender nenhum deputado. Aqui não tem traficante de madeira. […] Se ela está tratando de traficante, ela tem que tratar com pessoas do morro do Rio de Janeiro que cometeram crime gravíssimo e ela sabe qual eu estou falando. Respeito é bom e a gente gosta”, disse.
Visivelmente emocionada, Sâmia rebateu a Coronel Fernanda e disse que a PEC em discussão favorece o crime organizado. Na discussão, ainda mandou a colega “calar a boca”.
“A pessoa tem que ter uma moral de esgoto para usar o caso do meu irmão numa discussão como essa. Uma moral de lixo para nesse tema trazer o caso do meu irmão”, disparou a deputada do Psol.
“É o crime organizado, como o Comando Vermelho, que vai se beneficiar com uma tragédia social como essa. […] Lave sua boca antes de falar do meu irmão. Tenha respeito pelo luto da minha família e responda à sociedade por ajudar a alimentar o crime organizado, que traz a dor para tantas famílias brasileiras. Cale a sua boca!”, completou.
O embate continuou até que a presidente da CCJ, deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), interviu. Em seguida, um pedido de vista adiou a votação da PEC.
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